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Opinião

AMEAÇA À SAÚDE

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Por Editorial | Edição do dia 16/10/2020 - Matéria atualizada em 15/10/2020 às 22h54

A queda nas coberturas vacinais durante a pandemia tem preocupado os especialistas. Para a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o mundo vive não apenas uma pandemia de Covid-19, mas muitas "pandemias" relacionadas à desinformação que ameaçam a saúde coletiva.

Há preocupação com o crescimento da hesitação às vacinas, termo que se refere ao atraso ou recusa em se vacinar quando a imunização está disponível gratuitamente. Antes da pandemia, as coberturas vacinais já estavam baixas por vários motivos e pioraram muito em 2020. Como consequência, aumentaram os riscos que a população desprotegida está correndo, principalmente as crianças. No mês passado, a SBIm já havia lançado um alerta sobre a baixas taxas de vacinação no país, destacando que nenhuma das vacinas recomendadas para menores de 2 anos havia atingido 60% do público-alvo até agosto. Para enfrentar o problema, o Ministério da Saúde lançou a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e de Multivacinação, com o objetivo de imunizar mais de 11,2 milhões de pessoas e conscientizar a população sobre a importância das vacinas para a proteção contra diversas doenças. Não é de hoje que a cobertura vacinal vem diminuindo no País. Levantamento da OMS mostra que o Brasil aparece como um dos países que mais regrediram nos últimos cinco anos, com índice hoje de pouco mais de 70% de cobertura para difteria, tétano e coqueluche. A queda na cobertura universal de vacinas para crianças foi de 23 pontos percentuais entre 2015 e 2019, a mesma taxa de redução registrada na Venezuela, país em crise humanitária. Os motivos incluem a percepção enganosa de parte da população de que não é preciso vacinar porque as doenças desapareceram a problemas com o sistema informatizado de registro de vacinação. Há também o efeito de fake news atribuindo falsos efeitos colaterais às vacinas. Seja como for, é preciso que as autoridades de saúde reforcem as campanhas educativas e facilitem o acesso à vacinação. Caso contrário, voltaremos a registrar casos de doenças que pareciam erradicadas.

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