Opinião
A mola mestra da infância
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As várias concepções de infância que temos hoje foram decorrentes de vários anos de estudo. Biologicamente a criança possui três infâncias, sendo assim constituídas: a primeira Infância (nascimento até 3 anos de idade); segunda infância (3 à 6 anos de idade) e a terceira infância (6 à 12 anos de idade). Cada fase vivida terá seus desenvolvimentos e particularidades que são comuns a todas as crianças.
Mas nesse texto, gostaria de me deter sobre as infâncias e seus modos de vê-la. Nesse sentido, infância é um período comum no desenvolvimento do sujeito, porém ela também corresponde a um período histórico social, no qual a infância não era vivida como temos conhecimento hoje. A criança antes do século XVII era vista como um adulto em miniatura, ou seja, não havia um respeito pela sua infância porque esse conceito de diferenciação entre criança e adulto, sequer existia. Mas não precisamos ir tão longe assim. Se conversarmos com os nossos avós sobre as suas infâncias, veremos que se difere completamente do que vivenciamos hoje. Provavelmente você irá ouvir que eles ajudavam seus pais no trabalho, na roça ou que mal brincavam porque tinham muitas obrigações durante seu dia. Com a evolução da tecnologia e da sociedade, bem como a entrada da mulher no campo de trabalho, a criança passou a ser de fato olhada e merecedora de educação e orientação. E até chegarmos a tal importância da criança e da infância, muitos anos se passaram e muitos avanços na sociedade aconteceram. Hoje, temos a criança como um ser que único, singular, que deixa sua marca no mundo e na sociedade, bem como é marcada por ela. Embora haja um grande avanço com relação a importância da infância, vemos que ela não é igual para todos e nem nunca será. É nos primeiros anos de vida que o sujeito recebe as primeiras sensações percebidas do mundo exterior, contudo a partir desse momento a criança inicia a exploração desse mundo ao seu redor e das pessoas que as cercam. Então a nossa experiência, e tudo que nos foi vivenciado durante a nossa infância, nos acompanhará durante muitos anos. As interações sociais, a evolução da linguagem, bem como tudo que nos é transmitido nessa fase, faz de nós sujeitos únicos do mundo. Embora haja atuais políticas voltadas para a infância, como falei acima ela não será experimentada e vivenciada da mesma forma. Nesse momento muitas crianças estão trabalhando sendo privadas de sua infância, pois necessitam ajudar no sustento de suas casas, em contrapartida muitas estão experimentando as melhores sensações ao brincar com um brinquedo novo e essa dualidade é constante e presente. Embora exista diferenças socioeconômicas na nossa sociedade, existe uma coisa que não depende de dinheiro e classe social. Ela serve de mola mestra para a nossa infância e se chama tempo. Nossa! E por que ele é tão importante? É por meio dele que nos sentamos no chão para brincar juntos, que cuidamos, damos importância aquele desenho na geladeira, acompanhamos os primeiros passos... A criança só quer se sentir aceita e importante, se sentir amada e querida naquele ambiente. E precisa ser muito tempo? Não! Mas precisa ter qualidade e constância. Se queremos promover uma infância feliz e criar adultos emocionalmente fortes, devemos dedicar um tempo de qualidade como forma de respeito aos nossos filhos.