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Opinião

À PRÓPRIA SORTE

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Duas informações divulgadas ontem pela imprensa reforçam o momento delicado por que passa a questão ambiental no Brasil. A primeira foi que as queimadas na Amazônia em 2020 já ultrapassaram o total registrado de janeiro a dezembro do ano passado. Foram 89.604 focos de calor detectados pelos satélites monitorados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) até quinta-feira (22), contra 89.176 em 2019.

O segundo fato é a suspensão das atividades dos brigadistas que atuam no combate a incêndios florestais no País. A alegação do Ibama é falta de dinheiro em caixa. O anúncio da suspensão não foi realizado pelo próprio Ministério do Meio Ambiente, mas diretamente pelo Ibama. O órgão afirma que passa por “dificuldades” desde setembro "quanto à liberação financeira por parte da Secretaria do Tesouro Nacional". Em ofício, o Ibama determinou que as brigadas interrompam os trabalhos em todo o país. A decisão que afeta mais de 1,3 mil brigadistas, ocorre em um período em que tanto o Pantanal quanto a Amazônia ainda enfrentam queimadas, que já chegaram a bater recordes históricos neste ano. Entidades de defesa do meio ambiente afirmam que a paralisação do trabalho dos brigadistas é mais uma prova da política antiambiental adotada pelo governo Bolsonaro. Problemas contábeis relacionados à gestão dos recursos financeiros e falhas na interação entre os ministérios não podem gerar paralisação de políticas públicas. O Ibama tem autorização orçamentária para gastar bem mais do que fez em 2020. Até 21 de outubro, a autarquia liquidou apenas 48,2% do autorizado na ação orçamentária 214M (prevenção e combate aos incêndios), 39,7% do autorizado na ação orçamentária 214N (fiscalização ambiental) e 36,3% dos R$ 50 milhões repassados pelo Supremo Tribunal Federal decorrentes dos recursos da Lava-Jato. Enquanto isso, o mundo continua de olho no Brasil e em sua política ambiental. A mudança de rumos instaurada pelo governo Bolsonaro colocou o Brasil na contramão da comunidade internacional. Além dos prejuízos à natureza, os impactos à imagem do País não podem ser desprezados.

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