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Elogio da serenidade

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PASCHOAL SAVASTANO * A política se constitui um imenso estuário de paixões e conflitos. Seu exercício requer tolerância e controle de sentimentos. Mas a indignação e a exaltação consagram as lideranças vitoriosas que são capazes de romper com os vícios dominantes, estabelecendo uma nova ordem de princípios. Os velhos pensadores lembram, de forma simbólica, que a serpente morde a própria cauda. A serpente, no entanto, sempre foi considerada a imagem da prudência. Uma virtude política de primeira grandeza. O professor Norberto Bobbio aponta ser esta qualidade também dos juristas, cujo principal ramo se chama jurisprudentia. A ética do dever representa a força de vontade necessária para se combater as práticas que prejudicam os avanços da sociedade. A irresignação não gosta de cultivar dúvidas, luta por manifesta clareza e assume vários desafios. Aceita os riscos da marcha das transformações e da seriedade dos firmes propósitos. A luta pelo poder obriga a enfrentar os demônios da história. Os idealistas passaram a participar melhor dos acontecimentos que precipitam a divisão entre vencedores e vencidos. A serenidade, identificada como uma virtude pacífica, agora se ergue para não se confundir com espírito de resignação. O principal desafio é atravessar a tempestade dos sentimentos. Preservar os valores que definem a criatura correta e especial. As leis e o tempo não condenam simplesmente os vaidosos. Mas as omissões e os equívocos de suas condutas, produzem sempre graves arrependimentos. A indiscutível vantagem da serenidade é de não acumular rancores nem cultivar ódios. Mais próxima do equilíbrio, mantém critérios de compostura e está sempre disponível para um julgamento substancial e um reconhecimento duradouro. As evidências forçadas satisfazem apenas aos tontos e as aventuras sem glórias. A decisão de um mundo melhor pertence àqueles que transformam sua humildade em uma virtude de convicção. A serenidade é uma qualidade sem limites, diante da inquietude dos fracos e das ilusões dos fortes. Todas as instituições registram perdas morais inaceitáveis. A realidade dos dias atuais, cada vez mais, exige confiança para construir verdadeiramente seus ideais. (*) É ADVOGADO

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