Opinião
Admir�vel cidad�o
MARCOS DAVI MELO * Quando o pequeno grupo de amigos premidos pela saudade dos bons carnavais de Maceió resolveu botar na rua um pequeno bloco de frevo, logo viu que não tinha dinheiro para isto. Refletiram e entre os poucos nomes que julgaram ter a necessária sensibilidade para os ajudar, aquele empresário filho de tradicional família alagoana e líder de pujante setor produtivo do Estado foi o primeiro nome lembrado. Quando o procuramos em Jaraguá fomos não só muito bem recebidos, como incentivados a prosseguir. Quando raquítico, o bloco saiu a primeira vez, há quatro anos, apenas com a orquestra da Polícia Militar e a do maestro Manezinho, ele estava lá, participando e vibrando com a sua esposa desde a Pajuçara até o Alagoinhas. Pouco tempo depois, quando após anos de intensa luta, a Santa Casa de Misericórdia de Maceió foi contemplada pelo Ministério da Saúde com equipamentos de ponta para a radioterapia do câncer, a diretoria da instituição, que batalha em Alagoas há mais de 56 anos nesta trincheira, angustiou-se diante da possibilidade de perder os equipamentos por não ter recursos para construir as onerosas instalações necessárias para acomodá-los. Novamente, o primeiro nome lembrado foi o dele. Procurado, foi mais uma vez extremamente solícito. Não só contribuiu com recursos, como solidário colaborou com a sua liderança junto a seus pares e nos propiciou contatos com outros empresários da nossa terra. Com este apoio, conseguimos, após alguns meses, o dinheiro indispensável para iniciarmos as obras, o que foi fundamental para adquirirmos o fôlego necessário para arranjar o restante, terminá-las em tempo hábil e em seis meses de funcionamento os equipamentos já trataram com indiscutível eficiência mais de 300 cancerosos pobres. Movidos pelas carências de leitos, em seguida nos vimos diante de um novo desafio: os pacientes de câncer do interior do Estado, humildes em sua grande maioria, tinham dificuldades para alojamento em seus longos tratamentos. Concluímos que precisávamos de uma casa de apoio que os abrigasse com o mínimo de conforto e humanização. Novamente o procuramos. E mais uma vez foi não só sensível como fez desteabrigo para cancerosos pobres uma cruzada de solidariedade social. Tem ajudado com recursos e travado uma incansável peleja junto a outros empresários para que também colaborem nesta empreitada que, mais uma vez, graças a ele, está em sua fase final. Salve Zé Aprígio Vilella, exemplo perfeito de cidadão íntegro e bom, cujos passos são orientados sempre por este raro espírito generoso de solidariedade que acomete as pessoas somente na época natalina. Almejamos que tudo de bom que espontaneamente já deu para os desfavorecidos possa se reverter em muita saúde, paz e tranqüilidade para você e sua família. (*) É MÉDICO