loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

DIA A DIA

.

Ouvir
Compartilhar

“Nós estamos sempre convencidos de que o mundo moderno é um mundo razoável, baseando nossa opinião nos fatores econômicos, políticos e psicológicos. Mas se nós nos esquecermos por um momento de que estamos vivendo o ano de Nosso Senhor, 1936, e deixar de lado nossa razoabilidade bem-intencionada e demasiada humana, poderemos ter o fardo de um Deus ou de deuses como responsabilidade para eventos contemporâneos em vez de um homem. Nós podemos achar Wotan adequado para uma hipótese casual. De fato, eu arrisco uma sugestão herética de que as insondáveis profundezas do caráter de Wotan explicam mais o Nacional Socialismo do que todos os três fatores razoáveis juntos. Não há dúvida de que cada um desses fatores explicam um importante aspecto do que está acontecendo na Alemanha, mas Wotan explica ainda mais”

Este artigo começa com um trecho do texto “Wotan”, do suíço Carl Gustav Jung, psiquiatra fundador da psicologia analítica e criador do conceito inconsciente coletivo. Jung sugere que o fenômeno do nazismo não esteve apenas atrelado aos fatores racionais, apesar da hegemonia cristã na Europa que aboliu o guerreiro e outrora Deus Odin, que preparou sua vingança e se apossou daqueles com sentimento vingativo que buscavam a revanche pela Grande Guerra. Continuando com Jung: “Talvez nós devêssemos resumir esse fenômeno público como Ergriffenheit - um estado de apreensão ou possessão. O termo postula não apenas um Ergriffener (aquele que é possuído) mas também um Ergreifer (aquele que possui). Wotan é um Ergreifer dos homens e, ao menos que se deseje deificar Hitler - o que foi o que realmente aconteceu - ele é realmente a única explicação”, “Wotan reservou-se aos bersekers, que encontram sua vocação como os Camisas Negras dos reis míticos.” Chegada a hora certa Wotan arrebatou a juventude alemã e se permitiu renascer um Deus no inconsciente de um povo, que beneficia os caídos em batalha com a Valhalla, o paraíso dos guerreiros. Algo semelhante ocorre hoje na necropolítica do Bolsonaro que sem pudor, ainda deputado, disse nos bastidores do CQC, que serviria ao exército nazista e se orgulha de um suposto bisavô que teria servido a Hitler, homenageou Ustra, um dos maiores torturadores da ditadura. Como presidente, diz ser possível perdoar, mas não esquecer o Holocausto, nomeou Secretário da Cultura Roberto Alvim, que reproduziu um discurso de Goebbels, ministro da Alemanha nazista, ao som de Wagner, o compositor preferido de Adolf Hitler! Portanto, de cristão ele não tem nada. Seu discurso está longe do que pregam os cristãos. O mito é uma farsa, ora é visto como católico, ora como evangélico. O mesmo ocorre com relação ao futebol, já foi flagrado com camisas de inúmeros times. Ele não é nada, não é cristão, não é atleta e não é presidente. O movimento político que constrói perde força, extremista e radical, envergonha a camisa do Brasil que foi sequestrada pela seita que, apenas segue ordens do líder mítico ensandecido, como os Camisas Negras, lutam contra a razão e contra o mundo. Acabou Bolsonaro.

Relacionadas