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Opinião

FORA DO PACTO

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Ainda não se sabe quem vai assumir a Presidência dos Estados Unidos, mas ontem o país renunciou oficialmente ao Acordo Climático de Paris e se tornou a primeira nação a retirar-se formalmente do acordo global. Após três anos do anúncio do presidente Donald Trump sobre os planos de abandonar o Acordo de Paris, os Estados Unidos estão oficialmente fora do pacto climático global.

O acordo climático de 2015, firmado entre 197 países, tem como objetivo travar, ou pelo menos abrandar, o aquecimento global e garantir que se mantenha abaixo dos 2ºC, num esforço de tentar limitá-lo em 1,5ºC. A saída dos EUA vai representar a ausência do segundo maior poluidor do planeta e da maior economia da geopolítica climática no acordo, o que não é benéfico para o progresso na redução das emissões. Ao mesmo tempo, a renúncia norte-americana dá margem aos grandes produtores de combustíveis fósseis, como o Brasil, de não fazerem nada pela redução das emissões poluentes. Sem os EUA, o acordo perde grande parte de seu sentido político e prático. A decisão de Trump, entretanto, não causou surpresa. Ele sempre mostrou resistência em relação ao tratado. Por diversas vezes negou que o aumento das temperaturas se deva à ação humana. Cortou programas de ciência climática e o orçamento da Agência de Proteção Ambiental. Sua motivação, porém, é mais econômica do que uma discordância dos ambientalistas. Visa favorecer as empresas energéticas tradicionais, como as grandes companhias que atuam nos setores de petróleo, carvão e gás natural. O atual presidente americano sempre viu o acordo como uma barreira burocrática que impede a livre expansão industrial. Talvez Trump desconheça que os empregos no chamado setor de “energia suja” estão escassos por razões tecnológicas e não por imposição das renováveis ou regulação ambiental. Assim, a decisão de Trump, além de ser um desastre do ponto de vista do meio ambiente, é equivocada também no aspecto econômico. Caso se confirme a vitória do democrata Joe Biden, certamente essa posição será revista, para o bem da humanidade.

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