Opinião
Polícia pede socorro
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Em julho de 2019, a reportagem da Gazeta recebeu a missão de efetuar uma radiografia da Segurança Pública em Alagoas. A pauta foi motivada pelo contraste entre as constantes “lives”, realizadas pelo instagram governamental, e a realidade verificada pela própria cobertura cotidiana dos fatos criminosos.
Nas localidades mais distantes da orla de Maceió, como os bairros da parte alta, onde o povo se ressente, por exemplo, do Programa Ronda no Bairro, os delinquentes não se intimidam até hoje. Para desespero dos trabalhadores e das domésticas, em especial, eles intensificaram a prática de assaltar no ponto de ônibus, nas primeiras horas do dia. São fatos lamentáveis que, muitas vezes, nem chegam às delegacias, tamanha a desilusão das vítimas. Enquanto o governo conta vantagem de ter reduzido os delitos dentro dos coletivos urbanos, a tecnologia é que afastou o assaltante, principalmente nesse período de pandemia, através da bilheteria eletrônica, utilizada pelo usuário como passe no ônibus. No interior alagoano, a Gazeta constatou o drama vivido pelas comunidades, com os problemas estruturais dos Cisps e quadro de delegados e agentes de polícia deficientes. São 144 delegacias e 23 Cisps em Alagoas para apenas 90 delegados na ativa, dos quais boa parte apta para requerer aposentadoria. A situação dramática motivou a manchete: “Segurança vira caso de polícia”, pelo desmonte do aparato encarregado de investigar os crimes, prender os criminosos e entregá-los à Justiça. O Sindpol criticou duramente o governo pelo sucateamento progressivo da polícia judiciária alagoana, que leva ao crescimento da impunidade. Na época da reportagem já se contabilizavam mais de 15 mil inquéritos acumulados pelas delegacias.
Se a Segurança Pública havia se transformado em caso de polícia, em plena pandemia virou também uma pendenga judicial entre o governo do Estado e delegados. Tudo começou com o delegado Thales Araújo sendo abruptamente transferido de Arapiraca para Mata Grande. A entidade representativa ajuizou ação contra o que considerou um ato de perseguição do poder, tendo em vista que Araújo havia questionado o número de distritos policiais acumulados por delegados.
O delegado se sentiu vítima de represália e processou a direção. O caso foi parar no Tribunal de Justiça. O governador revela mais uma faceta. Além de expressar simpatia pela judicialização da política – basta acompanhar a intervenção na vida democrática de Arapiraca -, agora também vê seu governo judicializado por sua própria polícia, que clama por socorro. Enquanto isso, o poder de investigar e punir crimes vai se esvaindo pelo definhamento de uma estrutura essencial à vida em sociedade. Até outubro, os trinta mil inquéritos parados e cerca de 60 delegacias desativadas, por falta de estrutura física e humana para efetivamente operá-las, só expõem o triste quadro de ineficiência da gestão estadual.
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