Opinião
DESIGUALDADE PROFUNDA
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Levantamento divulgado ontem pelo IBGE revela que o Brasil não conseguiu amenizar a extrema pobreza no ano passado, mas o trabalho informal pode ter contribuído para reduzir o contingente de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Em números absolutos, em 2019 – antes da pandemia do novo coronavírus, portanto –, o País somava 13,6 milhões de pessoas extremamente pobres, cerca de 100 mil a mais que no ano anterior. Já a proporção de pobres caiu de 25,3% para 24,7% no mesmo período.
Três anos de baixo crescimento econômico entre 2017 a 2019, sempre abaixo de 2% ao ano, mantiveram a tendência de alta da pobreza, que cresceu fortemente com a recessão anterior à atual, de 2014 a 2016. Pelos critérios do IBGE, é considerado em situação de extrema pobreza quem dispõe de menos de US$ 1,90 por dia. Já os considerados pobres são aqueles que vivem com menos de US$ 5,50. Considerando apenas a linha de pobreza, o Brasil apresenta a 21ª taxa mais elevada entre 43 países com informação disponível no Banco Mundial. Já o contingente de extremamente pobres no Brasil é maior que a população total de países como Bélgica, Portugal e Grécia, entre outros. O IBGE também mostra que o contingente de extremamente pobres no país é formado, majoritariamente, por pretos e pardos, mulheres em sua maioria, sem instrução ou com ensino fundamental incompleto e desempregados. Mais da metade das pessoas abaixo da linha da extrema pobreza viviam no Nordeste. Essa e outras pesquisas do IBGE apenas confirmam uma realidade: o Brasil é um país profundamente desigual e a desigualdade gritante se dá em todos os níveis. Trata-se de um país em que a renda per capita dos 20% que ganham mais chega a ser mais de 18 vezes que o rendimento médio dos que ganham menos e com menores rendimentos por pessoa. É preciso, primeiramente, que o País volte a crescer para gerar emprego e renda. Ao mesmo tempo, o governo precisa manter e fortalecer as políticas de transferência de renda, para assegurar as condições minímas de uma sobrevivência digna.