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Opinião

For�a sem legitimidade

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HUMBERTO MARTINS * A prisão de Sadam Husseim pelas forças norte-americanas, ocorrida recentemente nos arredores da cidade de Tikritz, no chamado Triângulo Sunita ? terra natal do ex-presidente ? onde se agrupa a maior parte dos seus adeptos ? é apenas mais um capítulo no enfrentamento entre a potência econômica e militante mais poderosa ? apoiada por um conjunto de nações ? e a parcela do mundo árabe e islâmico que não se conforma com o domínio do Ocidente sobre os árabes. Domínio que, exercido há priscas eras, se estabelece agora através de duas vertentes: o fornecimento de petróleo farto e barato, dos árabes, para assegurar o progresso e o desenvolvimento do Ocidente, e o apoio ao Estado de Israel para que ocupe, indefinidamente, as terras onde existiu, até o início do século XX, o país denominado Palestina. A partir do atentado de 1o de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas de Nova Iorque e o Pentágono, planejado e realizado pela organização Al Kaeda, chefiada pelo saudita Bin Laden, o governo dos Estados Unidos, chefiado pelo presidente George W. Bush, resolveu agir contra seus inimigos mais perigosos no mundo árabe e muçulmano. É importante mencionar que o atentado contra as Torres Gêmeas foi a Seqüência de outros, cometidos contra embaixadas, bases militantes e demais alvos norte-americanos, em represália à política ianque de apoio ao Estado de Israel e à ocupação do que os radicais muçulmanos consideram lugares santos, que, segundo o Islã, devem ser preservados da presença de ?infiéis?. Contra o Afeganistão, Washington conseguiu mobilizar a Organização das Nações Unidas, ONU, na guerra, desencadeada, com todo o poderio terrestre, naval e aéreo de que dispõem os Estados Unidos e o seu principal e histórico aliado, a Inglaterra. Contra o Iraque, Washington agiu à revelia da ONU, criando uma situação que tem todas as características de um dos impasses mais importantes da época em que vivemos: os Estados Unidos têm a força para agir contra quem quer que seja, mas não dispõem de legitimidade que só à ONU é conferida para ordenar ataques a esta ou aquela nação. E a ONU dispõe de legitimidade mas não de força. A atual situação da ONU lembra posição idêntica das Ligas das Nações, desmoralizadas nos anos que permearam entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial ? década de 20 e 30 do século XX ? por ações unilaterais da Alemanha nazista e da Itália fascista contra nações mais fracas. Tal posição levou ao fechamento das Ligas das Nações e à substituição, após o término da Segunda Guerra Mundial, pela ONU. Ancorada na força militar e política principalmente dos Estados Unidos e da antiga União Soviética (atual Rússia). Essa composição, apesar de algumas crises, sobreviveu até o ataque unilateral dos Estados Unidos ao Iraque, com o qual não concordaram russos, alemães e franceses. A prisão de Sadam Husseim, como dissemos no início deste artigo, é apenas mais um episódio nesse conjunto de acontecimentos históricos cujos desdobramentos ainda não estão completos. Os Estados Unidos representam a Força, enquanto a ONU a legitimidade, no tocante, repito, de determinar guerras contra qualquer nação. (*) É DESEMBARGADOR DO TJ/AL

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