app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 0
Opinião

A COR DA DESIGUALDADE

.

Por Editorial | Edição do dia 20/11/2020 - Matéria atualizada em 19/11/2020 às 23h07

Celebra-se hoje, no Brasil, o Dia da Consciência Negra. O 20 de novembro foi escolhido para essa celebração porque, de acordo com historiadores, foi nesse dia que morreu Zumbi dos Palmares, o último líder do maior dos quilombos do período colonial, localizado onde hoje está o município de União dos Palmares.

O Dia da Consciência Negra – instituído oficialmente em 2011 – é visto como uma forma de promover a conscientização e a reflexão a respeito da relevância da cultura e do povo africano na formação de nossa própria cultura. Também é um momento de refletir sobre o racismo que teima em sobreviver na sociedade brasileira. Desde a década de 1950 que existem leis antidiscriminação racial no Brasil, e com a Constituição de 1988 o racismo foi transformado em crime inafiançável. Mesmo assim, percebe-se na prática que leis não são suficientes para mudar as estruturas sociais e econômicas que alimentam o racismo. Apesar de serem maioria da população brasileira, os negros aparecem em estatísticas de forma desfavorável. No Brasil, os negros são as vítimas em 75% dos casos de morte em ações policiais, nos Estados Unidos esse percentual é de 23%. No Brasil, a taxa de analfabetismo entre os negros (9,1%) de 15 anos ou mais é superior ao dobro da taxa de analfabetismo entre os brancos da mesma faixa de idade (3,9%), segundo o IBGE. Em 2018, 6,8% da população brasileira era considera analfabeta. Jovens negros continuam sendo as maiores vítimas da violência nas grandes cidades. O número de mortes de jovens negros no Brasil é maior do que em regiões em guerra. O desemprego entre negros também é maior do que entre a população branca. O ideal seria que não fosse necessário criar um dia para trazer essas questões à tona, ou adotar sistema de cotas raciais. Entretanto, o País ainda tem uma dívida histórica com a população negra e está longe de garantir a todos o direito a uma vida digna, independentemente de cor, etnia, religião, orientação sexual e outras diferenças. Enquanto isso não ocorre, é preciso ficar repisando essa verdade incômoda.

Mais matérias
desta edição