Opinião
O drama do semi-�rido
Não é menos do que triste e vergonhoso o fato de termos, com o terceiro milênio já em curso, comunidades inteiras enfrentando os mesmos dramas das secas registrados pelos jornais do tempo do Império. E homens públicos ainda aparecendo com mesmos discursos e propostas de solução repetidos ao longo de décadas para o problema que deixará de ser, de uma vez por todas, motivos de preocupações, quando aparecerem os resultados de uma firme decisão política. Enquanto isso, como bem observou, em novembro de 2000, durante pronunciamento no Senado, a senadora Maria do Carmo Alves (PFL-BA), inúmeros povos do mundo árido e semi-árido, pobres ou ricos, já transformaram as seqüelas da seca em problemas de um passado distante, e hoje são pólos por excelência da produção de alimentos do mundo moderno, como o Oeste americano, a Índia, a China e Israel. Infelizmente, em regiões como a do semi-árido nordestino, os resultados do subdesenvolvimento socioeconômico ainda não sensibilizaram certas pessoas que continuam se aproveitando, para fins eleitoreiros, das cestas básicas e dos recursos financeiros minguados que só aparecem com a calamidade já instalada. Daí a situação em que se encontram mais de 200 mil sertanejos alagoanos que, devido aos efeitos da longa estiagem, vivem um dos seus piores natais, como esta GAZETA informou, na semana passada, com base nas declarações da prefeita e presidenta da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Rosiana Beltrão. A diferença básica nisso tudo, como a própria senadora sergipana frisou, é que outros povos construíram infra-estruturas permanentes para conviver normalmente com as estiagens, da mesma forma que os habitantes do Hemisfério Norte aprenderam a conviver com seus invernos glaciais, enquanto aqui, os governantes preferem enfrentar as secas com medidas paliativas e emergenciais, como se elas fossem desastres imprevisíveis da natureza.