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Opinião

Honra aos mortos

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Por Guilherme de Azevedo Filho - escritor | Edição do dia 20/11/2020 - Matéria atualizada em 19/11/2020 às 23h07

Escrevo texto porque é um dever humano honrar nossos irmãos e irmãs brasileiros que caíram nessa guerra pandêmica; e; penso eu, é um crime hediondo não eternizá-los. Os números avançam contra este país, se aproximam dos 160 mil mortos. Não há palavras para definir a morte: não há palavras para vencê-la. A vida tenta por toda vida, e falha estupendamente. Nossos irmãos caíram em solo brasileiro: nossas matas choram. Honremo-nos. Com o que há de mais humano em nós.

Que cada um deles seja lembrado nestas linhas. Que suas vidas não sejam estatísticas, palavras. Sejam vidas. E que em vão não se vão. As Marias e seus feitos, os Antônios e seus filhos, as Luísas é suas manias, Gustavos e seus talentos. Que suas histórias sejam exaltadas; - foram e aqui estão. E sempre estarão, na força que o jornalismo oferece às grandes causas. Cada um de vocês, meus irmãos e irmãs: - Vivos, uma vez mais. Uma última vez. Um último sopro, um último fôlego. Que aqui, ao menos, a vida dos senhores vença a morte.

E que a luz desta nação ilumine os que seguem lutando. A fé desse país, a minha fé, a de todos nós, sem Deuses, sem Nomes, para os que, hoje, estão na UTI; - para os que, hoje, lutam a cúmplice e íntima luta entre vida é morte. Nosso sopro de luz a todos vocês. Sem partidos, sem bandeiras, sem intenções: não há política em minhas palavras.

Que cada mãe, cada pai, cada filho, filha, se sintam representados nestas linhas. Eis a palavra ombro. Nesta frase, trago a dor insuportável de todos vocês: meus profundos e pesados pêsames. Que a dor dos senhores não seja silêncio. É tempo de gritá-la: aqui, gritem por mim. Aos quatro cantos do mundo, às famílias dos mais de 156 mil brasileiros (até terça-feira, 11 de novembro) que caíram nessa guerra; às autoridades que as lerão: é tempo de gritar por este país, este povo. É tempo de compaixão à uma nação que está a sangrar os próprios filhos. E que nega um amanhã digno aos que estão de pé. O ouro deste País é seu povo; é um lamento profundo e incicatrizável vê-lo padecer. Esta pandemia é, e sempre será, uma mancha nos aquíferos de nossa história. Que cada linha da vida dos que se foram sejam lembrada; que cada pulso de sua existência não se apague. Eis, aqui, a imensa luz que eles deixaram: a iluminar, por todo sempre, este sombrio capítulo de nossa história.

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