Opinião
Uma tragédia silenciosa
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Uma verdadeira tragédia silenciosa está se abatendo sobre o Brasil e Alagoas nos últimos tempos e, particularmente, de forma mais grave, em Maceió, tanto pela pandemia da Covid-19, como pelo afundandamento do bairro do Pinheiro e demais áreas adjacentes à Lagoa Mundaú. Estou me referindo à situação dramática dos animais de rua e àqueles abandonados na região afetada por um dos maiores crimes ambientais da história brasileira. No Pinheiro temos, segundo estudos recentes de instituições de proteção animal, como o SOS Pinheiro, aproximadamente, sete mil gatos desabrigados e desassistidos até o presente momento. Esses animais são vítimas da negligência do poder público, do descaso e total insensibilidade da sociedade civil, indiferente a situação de desespero vivida por esses seres nobres e indefesos. Não é possível continuarmos complacentes e coniventes com esta realidade de completo desprezo humanitário ante esta conjuntura.
Os animais latem, miam, relincham e até piam, mas não podem falar, e exatamente por não terem voz, também não podem denunciar ou protestar o drama que estão atravessando, em um autêntico cenário de filme de terror. Estão morrendo à míngua, passando fome e sede, vitimas de doenças, atropelamentos e da velha conhecida crueldade perpetrada pelo homem, contra vidas que deveriam receber proteção da sociedade ao invés do abandono. Difícil passar fome, sede, medo, solidão, tristeza, dor, depressão (sim, animais também têm depressão) e não terem com quem contar. A dura verdade, sem meias palavras, é que não existem políticas públicas mínimas para a causa animal na nossa cidade. Eles só estão sobrevivendo graças às almas sensíveis e aos corações generosos dos protetores individuais, verdadeiros anjos dos nossos amigos de quatro patas. Já passou da hora do Estado fazer algo de concreto para diminuir o sofrimento desses seres inocentes, as maiores vítimas da ineficiência institucional governamental em nosso país. Ainda que precariamente, existem políticas públicas para as pessoas, nos mais diversos segmentos da sociedade, a exemplo da saúde, da educação ou da segurança pública, dentre outros setores que recebem investimentos dos governos municipais, estaduais e do governo federal. O segmento no qual é praticamente inexistente intervenções sociais, seja no âmbito do executivo, legislativo e judiciário, é o que diz respeito aos direitos, defesa e proteção animal. A sociedade brasileira passa por uma grave crise de consciência moral, e, neste contexto, a vida dos animais, como é do conhecimento de quem atua na área e conhece os dilemas que a envolvem, são vidas secundárias, sem importância para boa parte da população, que não possui a menor empatia por esta causa. Andando por toda Maceió nestas eleições, percebi o oportunismo, a demagogia barata e o estelionato que rondam esta bandeira da defesa da causa animal. Todo cuidado com as fake news dos “amigos dos animais” é pouco. A demagogia dos que querem excluir esta agenda do debate político, quase sempre resvala para a cobrança que tem por base a capciosa pergunta sobre “como ficam as criancinhas abandonadas?”. Como se uma coisa excluissse a outra, e, como sempre, feita por quem não faz e nunca fez nem pelas crianças e nem pelos animais. No estado de Alagoas, a única lei que trata da questão da proteção de animais é de autoria DO senador Firmino e Deputado Estadual Ronaldo Medeiros. Precisamos avançar mais, com a construção de um Hospital Veterinário Público e UPAS Pets, a instalação do Samu animal, compensação fiscal para a causa animal e o fim dos veículos de tração animal. Já seria um bom começo.