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Ensinamentos da Hist�ria

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EDUARDO BOMFIM * Atribui-se ao primeiro-ministro britânico Winston Churchill a frase: ?Se Hitler invadir o inferno eu faço uma aliança com o diabo?. Eram os anos tenebrosos da Segunda Guerra Mundial e o velho ?buldogue? conservador inglês referia-se à União Soviética e Stalin. Evidente que a afirmação exprime dois conceitos. Um conservador, reacionário mesmo, e o outro a clareza política, a sagacidade de um astuto, brilhante político. A necessidade imperiosa de uma ampla aliança para derrotar um temível e poderoso inimigo, a Alemanha hitlerista. Outro grande personagem do século XX, o revolucionário e dirigente comunista Mao Tse Tung, comandante da luta de libertação e condutor do socialismo na China, durante a invasão do Japão contra o seu país, declarou que ?os amigos dos nossos inimigos são nossos adversários e os inimigos dos nossos inimigos são nossos aliados?. Com esta formulação, adotou a tática que possibilitou um pacto de não agressão entre os revolucionários chineses e o general Chiang Kai-Check, enquanto perdurasse a dominação japonesa em seu país. Tal iniciativa permitiu que seguidores de ambos os lados virassem suas energias guerreiras e políticas contra os agressores violentos e muito superiores em armamentos. Conseguiram expulsar os japoneses do seu território e o resto da Historia nós conhecemos, a China é, hoje, a grande potência, em vias de se transformar na maior economia do mundo em algumas dezenas de anos, segundo o consenso da maioria dos economistas do planeta. Durante a ditadura que se abateu contra o povo brasileiro por mais de vinte anos, articulou-se a Frente Ampla em 1967, cujo objetivo central seria unir os líderes, Juscelino, Jango e Lacerda. Os dois primeiros, inimigos pessoais e políticos de Lacerda, aparentemente irreconciliáveis. Os aliados de cada um deles se opunham veementemente à reconciliação em curso. O presidente Jango, horas antes do encontro em Montevidéu com Carlos Lacerda, um dos principais articuladores civis do golpe que o derrubou e levou-o ao exílio no Uruguai, era pressionado pelos correligionários. Pensou por horas e concluiu: ?Tem muita gente que vem aqui e diz que não devo entrar na Frente Ampla. Mas eu digo a eles: que é que vocês têm feito pelo restabelecimento da democracia? Eles me dizem: estamos aproveitando a única faixa de oposição existente. Eu lhes digo: pois meus amigos, é uma faixazinha muito pessoal a de vocês, muito egoísta e cômoda, o povo não cabe nela. Vou entrar na Frente sim, digam o que quiserem?. Os três líderes juntos representavam a esmagadora maioria do povo brasileiro, afirma Carlos Heitor Cony. Posteriormente, os três morrem em circunstâncias suspeitas e segundo o escritor, foram assassinados. A vitória de Lula deu-se mediante ampla composição que uniu segmentos da esquerda e setores do empresariado produtivo, intelectuais, sindicalistas, estudantes, religiosos, etc. Graças a esta articulação, o projeto neoliberal foi barrado nas urnas e esta vitória foi um alento e referência para os resistentes no mundo inteiro. Trata-se, portanto, de um somatório de forças complexo e que exige muita competência política para ser administrada. Além disso, as forças da esquerda possuem a obrigação de não frustrar os sonhos dos trabalhadores e classe média do País, base fundamental da sua sustentação. A grande queda-de-braço dá-se na área da economia, entre aqueles que defendem a continuação das políticas fiscais ortodoxas e os que consideram que 2004 é o ano das iniciativas que promovam a retomada do desenvolvimento, o reforço do papel do Estado nas políticas públicas que impulsionem a retomada do emprego em larga escala, a reforma agrária, o revigoramento do mercado interno, o resgate de uma política cultural que fortaleça a identidade nacional, etc. A história nos ilumina e é a maior professora dos povos. Saibamos interpretá-la com sabedoria. Feliz 2004. (*) É ADVOGADO

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