Opinião
A VACINAÇÃO PARA O COVID19
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O resultado das urnas do segundo turno confirmou a tendência vitoriosa do pragmatismo como meta essencial do eleitor. É com pragmatismo que esse eleitor se depara com o recrudescimento feroz da pandemia de Covid19 no Brasil, onde já se constatam hospitais e UTIs lotadas, suspensão das cirurgias eletivas, elevação de casos novos e de mortes. O eleitor vê extremamente preocupado, mas sem surpresas essa situação. É nesse clima de renovação de angústias e medos que o Plano Nacional de Vacinação foi apresentado pelo Ministério da Saúde.
O Plano de Vacinação foi recebido com reações diferentes pelos especialistas e profissionais mais renomados da linha de frente dessa guerra extenuante. A Dra. Natália Pasternak revelou que a proposta do Plano é um sinal de que deixaram os técnicos trabalhar e de um modo geral ela concordou com as quatro etapas propostas, assim como a disposição veiculada pelo Ministério da Saúde de aceitar adaptações, alterações e modificações no Plano. Já o Dr. Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da USP, discorda de suas linhas gerais, que seriam incorretas em suas quatro etapas e não contempla o social, pois pessoas que se expõem mais, independentemente de idade, não foram contempladas. O presidente do Hospital Einstein, Dr Sidney Klajner, alertou: “Essa discussão tem que ser levada a uma profundidade maior. Grande parte da mortalidade não está nesses idosos acima de 75 anos e sim na população mais ativa, que sai mais de casa e se expõe, entre 60 e 75 anos. A mortalidade é maior na população mais ativa”. Preveniu para “os riscos de politizar ainda mais a vacina e, com isso, diminuir a quantidade da população imunizada. No momento em que existe politização de uma ou outra vacina, corremos o risco de o apoiador desta ou daquela liderança tomar o imunizante que ela apoia. O risco é deixar de tomar a vacina por uma ideologia e não por uma questão sanitária. Em época de pandemia, toda vez que pomos a nossa vida em risco, colocamos a do outro também”. Gonzalo Vecina, fundador ex-presidente da Anvisa, ex-secretário de Saúde de SP e professor de mestrado da FGV e da USP, comentou: “Não há remédios para tratar a doença, apesar disso o secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde declarou que deve ser iniciado o tratamento o mais precocemente possível, com os medicamentos que todos sabemos quais são. Tendo declarado ainda que está CIENTIFICAMENTE provado que o isolamento social não funciona. Faltou declarar que, de acordo com seu chefe, as máscaras devem ser evitadas, pois os vírus gostam de pessoas mascaradas. O Plano proposto de vacinação parte da existência de uma única vacina e a do consórcio Covax e ignora que somente no País temos quatro vacinas em testes provavelmente exitosas e que deveriam ter merecido um esforço de negociação muito maior do governo. Propor que iniciemos a vacinação em março e que no máximo alcancemos um terço da população em 2021 significa não realizar nenhum esforço mínimo de tentar oferecer alternativas à população. É uma capitulação pública. É um crime,” afirmou Vecina. O debate na ciência é sempre salutar e dele pode vir a luz. É indispensável que exista total transparência para que o pragmatismo, sustentado em parâmetros técnicos, seja vitorioso nessa questão fundamental para vida dos brasileiros. Nisso, o total repúdio à politização da pandemia e da vacinação, existe absoluta unanimidade entre todos os cientistas e responsáveis por entidades que estão lutando nessa guerra que já matou mais de 175 mil brasileiros.