Opinião
Lições da história
.
Dados publicados pela BBC News revelam que, em 1967, na Inglaterra e País de Gales, quase meio milhão de pessoas contraíram sarampo, ocorrendo quase cem mortes. No ano seguinte, a vacina foi introduzida e virou um programa contínuo de saúde pública. Em 1997, trinta anos depois, os dois países registraram o número mais baixo de pessoas acometidas pela doença: 56 casos e nenhum óbito.
No Brasil, não obstante o episódio da “Revolta das Vacinas”, ocorrido em 1904, contra a obrigatoriedade de aplicação do imunizador da varíola, há, em verdade, um histórico bem-sucedido de vacinação em massa da população. Basta revisitar a luta pela erradicação do sarampo em nosso meio, com ampla adesão popular. A própria Fiocruz, vinculada ao Ministério da Saúde, retrata a história do Programa Nacional de Imunização e destaca o sucesso da campanha de vacinação contra o sarampo, ocorrida em abril de 1992, que alcançou até 99% de cobertura vacinal em algumas regiões do País. Quase 50 milhões de crianças e adolescentes foram imunizados. À época, o presidente Collor inspecionou pessoalmente os preparativos de uma verdadeira operação de guerra. “O trabalho da equipe foi duro. Para se ter ideia, passamos quatro meses dedicados à preparação da logística da campanha, que recebeu investimentos de 150 milhões de dólares. Tenho muito orgulho de dizer que meu governo erradicou o sarampo no Brasil, resultando num quarto de século sem nenhum caso”, rememora o ex-presidente. Num momento em que a humanidade segue enfrentando uma pandemia e vive a expectativa de chegada das vacinas contra a Covid-19, o Senado Federal já estabeleceu as diretrizes para distribuição de imunizadores. Se vivemos numa República Federativa, então as vacinas são um direito de todos e dever do Estado, que deve fornecê-las de maneira gratuita, transparente e dentro do rigor técnico, priorizando ainda os grupos de risco. Constatadas a eficácia e segurança das vacinas, que elas sejam disponibilizadas para nossa população- e o quanto antes. Como a história também oferece boas lições, vale ainda recordar a vitoriosa vacinação em massa de 1992, precedida de logística eficiente e competente campanha de divulgação e convencimento, que sensibilizou o povo para a importância de se defender a vida por uma simples picada de agulha.