Opinião
O GRANDE ENTRAVE
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Relatório divulgado ontem pelo Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (Pnud), da ONU, mostra que o Brasil perdeu cinco posições no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e passou do 79º para o 84º lugar entre 189 países. O IDH brasileiro foi de 0,762, em 2018, para 0,765, em 2019.
O resultado, porém, ainda mantém o Brasil no grupo de países com alto desenvolvimento humano. Mas não há motivos para grande otimismo quando é feita uma comparação com países da América do Sul. A média brasileira é menor do que a de Chile, Argentina, Uruguai, Peru e Colômbia. Já em comparação com outros Brics, grupo de países emergentes do qual faz parte, o Brasil perde para a Rússia, mas aparece à frente de China, África do Sul e Índia. Segundo o PNUD, os dados ainda não refletem o impacto da pandemia do novo coronavírus. Isso significa que, no próximo ano, devermos ter números ainda mais negativos. O índice mede a saúde, a educação e o padrão de vida dos países. Ao analisar os dados da pesquisa, vê-se que é a falta de avanços na educação que está afetando o desempenho do Brasil. O período esperado para que as pessoas fiquem na escola parou em 15,4 anos desde 2016. A média de anos de estudo foi de 7,8 anos em 2018 para 8 anos em 2019, enquanto nos países que estão no topo do ranking (como Noruega, Suíça, Austrália) é de mais de 12 anos. Ressalte-se que boa partes dos brasileiros tem uma educação precária, por isso urge que a educação esteja, de fato, entre as prioridades do Brasil. O investimento maciço deve se voltar à educação de base, diminuindo a vulnerabilidade das famílias. Trata-se de uma aposta de longo prazo, mas com ampla possibilidade de ser bem-sucedida. Medidas de transferência de renda, por meio de auxílios e bolsas, são importantes e necessárias, ainda mais num momento tão delicado da economia por causa da pandemia do novo coronavírus. Investimento em educação, entretanto, é um dos remédios que, em médio e longo prazo, podem mudar totalmente o cenário.