Opinião
Ansiedade e depressão, “males pós Covid”
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De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior número de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo. Somados a esses dados, um dos grandes impactos da pandemia sobre a saúde global tem sido associado ao aumento dos casos de ansiedade e depressão. O medo, o isolamento, a crise econômica, as perdas, a rápida transmissão do vírus, a alta taxa de mortalidade e preocupações com o futuro têm sido alguns dos inúmeros motivos para o agravamento desse quadro. Estudos recentes têm encontrado prevalências de estresse, ansiedade e depressão, como resultado pós pandemia, em torno de 29,6, 31,9 e 33,7%, respectivamente. Enquanto isso, um outro estudo que investigou apenas pacientes com COVID-19 encontrou uma alta prevalência de estresse pós-traumático (96,2%).
A contribuição da variância genética para desenvolver um transtorno de ansiedade é estimada em uma faixa de 30% a 50%, o que implica que 50%-70% dos demais fatores devem-se ao ambiente. O papel dos fatores ambientais no desenvolvimento dos transtornos de ansiedade pode atuar também por meio de mecanismos epigenéticos. Nosso estilo de vida e padrão alimentar mudaram drasticamente pós-pandemia e está se infiltrando em todos os aspectos da rotina diária. Em geral, todos os estudos que examinaram distúrbios psicológicos durante a pandemia relataram vários sintomas de estresse, alterações de humor, irritabilidade, insônia, alteração no padrão de sono e alimentação. Adicionalmente, a ansiedade e estresse aumentam ainda o risco de diabetes, doenças cardiovasculares, compulsão alimentar, obesidade, entre outros.
Estudos com camundongos com dieta rica em gordura e açúcar mostraram prejuízos na neurogênese cerebral (formação de novos neurônios) sendo o hipocampo a estrutura mais vulnerável a danos por dietas altamente calóricas. Por outro lado, estudos realizados em adultos mostraram uma menor incidência de depressão e ansiedade naqueles que comem segundo padrões alimentares considerados “saudáveis”, caracterizado por uma abundância de vegetais, frutas, cereais integrais, nozes, sementes e leguminosas, bem como quantidades moderadas de laticínios, ovos e peixes e gorduras insaturadas, incluindo padrão de Dieta mediterrânea. Vários micronutrientes foram considerados baixos naqueles pacientes com depressão ou com risco aumentado de depressão, incluindo zinco, magnésio, selênio, ferro e vitaminas D, B-12, B-6, E e folato. Assim como o maior consumo de substâncias antioxidantes como vitamina C, polifenóis, flavonóides e substâncias com características anti-inflamatórias, como EPA/DHA provenientes dos peixes de águas profundas mostraram ter um papel benéfico nos transtornos de depressão e ansiedade. Aumentar o consumo de alimentos fontes de triptofano (precursor da serotonina) ou que auxiliam na modulação da serotonina como banana, chocolate, ovo, grão de bico, mel, griffonia simplicifolia, crocus sativus, etc. Modular o neurotransmissor ácido gama-aminobutírico (gaba) com a L teanina, magnésio, vitamina b6, camomila, folha do maracujá, melissa officinalis, etc, também poderia auxiliar na terapêutica não farmacológica. Outro fator essencial nesse contexto seria a integridade da microbiota intestinal. Estudos demonstram uma alta prevalência ansiedade e depressão naqueles pacientes com doença inflamatória intestinal e síndrome do intestino irritável. Além disso, a composição da microbiota intestinal em indivíduos com ansiedade ou depressão (incluindo aqueles em remissão) difere dos indivíduos saudáveis. Nesse contexto, o uso de psicobióticos tem sido recentemente estudado, ou seja, probióticos que auxiliariam na síntese de substâncias neuroativas, como a serotonina e o gaba, e que atuariam diretamente no eixo intestino-cérebro, parece também exercer um efeito promissor nesses quadros. Muito além de tudo isso... buscar exercer a fé, esperança, gratidão, motivação, ressignificar, não desistir...livrar-se de pensamentos negativos sobre o passado assim como, dos medos sobre o futuro...
