Opinião
Nova postura
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Nenhuma outra capital de Estado se depara com um quadro dramático, como o que vem sendo enfrentado pelo povo de quatro bairros de Maceió.
Em razão do desastre causado pelos poços de extração de sal da Braskem, em plena área urbana da cidade, o território afetado encontra-se sob calamidade pública, já reconhecida pelo governo federal. Com a desestabilização das áreas que apresentaram afundamentos e rachaduras, a empresa firmou Termo de Acordo com órgãos estaduais e federais, em janeiro deste ano. Naquela ocasião, estabeleceu-se a desocupação de pouco mais de quatro mil imóveis situados em áreas circundantes aos locais de mineração. Passados onze meses do Termo firmado, o território sob monitoramento e os imóveis a serem evacuados praticamente triplicaram. É uma tragédia que afeta diretamente a vida de mais de 50 mil pessoas, com efeito colateral disseminado pela cidade. Apesar da gravidade do acidente e de suas consequências na vida de uma legião de maceioenses, há claro descompasso entre a justificável celeridade exigida pelos prejudicados e a efetiva indenização dos imóveis evacuados.
Também foi notado o mesmo descompasso dos dirigentes municipais e estaduais, que pouco ou quase nada se posicionaram – nem mesmo em suas movimentadas redes sociais – , como se secundarizassem um problema que reclama máxima urgência e especial atenção no planejamento e na busca de soluções.
Daí a importância da atitude do prefeito eleito JHC de reiterar que vai assumir efetivamente a causa. Primeiro, anunciando uma estrutura administrativa, vinculada ao seu futuro gabinete, para operar as ações de janeiro em diante, sobretudo na interface com outras esferas de poder. O gesto proativo do futuro prefeito também o levou ao encontro da força-tarefa do MPF, além de revelar que vai cobrar os prejuízos causados aos equipamentos urbanos existentes nos bairros atingidos. Em Brasília, JHC pretende ter audiência com o presidente Jair Bolsonaro e buscar mais suporte do governo federal. Há responsabilidades históricas da União que precisam ser postas na mesa, pois a Agência Nacional de Mineração autorizou a extração de sal em área com falhas geológicas. A nova postura diante dos bairros, que sucumbem em rachaduras, representa um sentimento de indignação coletiva contra tudo o que está ocorrendo e necessita ser reparado.
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