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Adeus A.C. Sim�es

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MÁRIO JUCÁ * Nos idos de 1949, estimulado por Abelardo Duarte e alguns colegas, A.C. Simões ajuntava-se ao presunçoso sonho de fundar a Faculdade de Medicina de Alagoas, da qual ficou como representante emprestando sua figura de baluarte, perante as autoridades locais e nacionais. Finalmente fundada no dia 3 de maio de 1950, realizando em 1951 o primeiro vestibular. A Faculdade de Medicina de Alagoas teve como primeiro diretor a maior expressão científico-cultural da medicina do passado-recente, que chegou com glamour e altruísmo à época pós-moderna, refiro-me ao prof. Ib Gatto Falcão, sinônimo de dignidade, competência, lucidez e dinamismo. O saudoso A. C. Simões foi primeiro secretário da Diretoria, a quem se deve os maiores registros históricos (atas e relatórios) do acervo da universidade. Prof. A. C. Simões e seus colegas contaram, para aquecer a luta pela faculdade, com um dos mais brilhantes oradores da história de Alagoas, o qual tivemos a honra de ouvir seus ensinamentos no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, o deputado Medeiros Neto. Outros políticos e amigos do professor Simões não pouparam esforços para trazer para o povo alagoano a oportunidade de formar seus médicos, e assim aconteceu em 1956 formou a primeira turma, cujo paraninfo foi o presidente JK. Inquestionável sacrifício, fruto indubitável do esforço de um grupo de médicos que acreditou em seus potenciais para vencer as dificuldades de um Estado pobre e sem estrutura. Inúmeros registros da história da Universidade Federal de Alagoas confundem-se com a história de vida de Aristóteles Calazans Simões, como: Os Anais da Faculdade de Medicina, a Revista da Faculdade de Engenharia, a Faculdade de Filosofia, a de Ciências Econômicas e tantas histórias e fatos, que agrupados são o nascimento e a infância da Ufal, que em sua essência traduzem a garra de um homem que foi o seu primeiro reitor por 10 anos (1961-1971) soube honrar a universidade com suas ações, que ainda hoje servem de exemplo para aqueles que querem ver uma universidade viva, sem as pegadas funestas que a conduziram ao caos em que ora se encontra. Mas há esperanças...Vá tranqüilo! Pode-se hoje aquilatar sem medo de erros a ação do prof. Simões: o diamante das Alagoas do Século XX. Não sobram dúvidas, não há esquecimentos. Basta que se entenda o quanto o povo pôde se beneficiar com uma universidade pública, gratuita e que seus fundadores e funcionários primavam pelo seu sucesso e qualidade que, em última análise, formaram nas diversas áreas do conhecimento os insignes nomes da elite intelectual de Alagoas. O magnífico reitor prof. A. C. Simões deleitava-se com cada relatório de gestão que apresentava à Assembléia Universitária para que, gravado de forma escrita, ficassem os caminhos cautelosos, engenhosos, honestos e devotados que sua equipe dispensava ao cotidiano da novel universidade. Naquela época A. C. Simões já dizia: ?não podemos deixar fraquejar, deixando que se apague a chama viva desse sonho que nos coube, custe o que custar, transformar na mais vera e mais pura das realidades? e continuou dizendo: ?E se a tanto chegarmos, poderemos então ter a certeza de que os pósteros nos saberão bendizer?. E no dia 28 de dezembro nós o bendizemos prof. Simões, ajoelhados no genuflexório, agradecemos a Deus pela sua vida, que tornou um sonho realidade, que o próprio Deus lhe deu o prazer e o júbilo de poder em vida testemunhar. ?Claro e bem claro está...? como nos disse o prof. Simões em seu discurso na solenidade comemorativa dos 40 anos da Universidade em 2001: ? Ao nosso ver a criação da Ufal foi o maior acontecimento no Estado, ou pelo menos um dos maiores do século XX?, o que garante um marco indelével na história dos alagoanos e desenha a ?persona grata? que foi A. C. Simões para este Estado. Que pena que no jubileu de ouro não contaremos comseu fundador. Pouco tempo faltava, mas para Deus o tempo de Simões estava esgotado. Sim, missão cumprida, vida limpa, digna e lastro de benfeitorias e legado vivo de emprendedorismo com competência e determinação. Não estará de corpo e alma, mas su?alma vai certamente pairar entre nós em 2011 e seu busto aguçará imagens vivas na lembrança, que trarão saudades, porém as novas realizações que esperamos consolidarão cada vez mais sua passagem neste cenário de saber, sobremaneira nesta terra pequenina das Alagoas, onde cravaste com ousada vitória o grau superior na mente de privilegiados filhos, que brilharam, brilham e brilharão no cenário local e nacional. Enfim, grande A.C. Simões, a fragrância de suas ações se espraia e eu, como tantos outros milhares, agradeço pela sua vida e rogo a Deus que descanse em paz, esperando que nada possa abalar a história da nossa Ufal, que ela consiga realmente ser célula VIVA e funcionante, integrada ao dia-dia do nosso povo, mantendo-se como academia destacada pelo ensino público, gratuito e de alta qualidade. (*) É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS

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