Opinião
N�meros do desafio
O Atlas do Censo Demográfico 2000, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que, com 169,7 milhões de habitantes, somos o quinto país do mundo em população, depois da China, da Índia, dos Estados Unidos e da Indonésia. Porém, ocupamos o 153% lugar, também no contexto mundial, em densidade demográfica, com 19,9 habitantes por quilômetro quadrado. Pelos dados do IBGE, o Brasil já tem 81,25% da sua população residindo em áreas urbanas. Apenas 13 municípios com mais de um milhão de habitantes, e 2.642 de até 10 mil habitantes, dos mais de cinco mil municípios espalhados pelo território nacional, concentram 20% e 8% do total da população, respectivamente. São inúmeros os problemas brasileiros que deverão ter seus efeitos pelo menos minimizados ao longo de 2004. E boa parte deles é conseqüência dessa distribuição realizada de forma desigual e concentrada. O Censo 2000 já encontrou 81,255 do total de moradores do País vivendo em áreas urbanas. E 6,4 milhões de pessoas buscando trabalho ou estudo em outro município. O que agrava as dificuldades de há muito existentes nos centros urbanos, sobretudo das metrópoles. Os novos dados do IBGE são suficientes para provocar as providências há bastante tempo reclamadas para a melhoria das condições de sobrevivência das famílias que continuam nas pequenas cidades. Principalmente no meio rural. Já é tempo de se atentar para os alertas dos especialistas para a necessidade de se evitar o colapso urbano. Os estudos mais recentes relacionados ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) bastam para termos o entendimento de que a salvação das nossas grandes cidades somente será possível se houver o direcionamento de prioridades de gastos públicos para as pequenas cidades. É lógico que os resultados das atenções nesse sentido possam ser auferidos pelas comunidades rurais, onde são mais acentuadas as carências em quase tudo: de meios para plantar, de dinheiro para a alimentação. E de acesso aos serviços públicos de qualidade.