Opinião
TEMPO DE TRANSFORMAÇÃO
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Ontem, em grande parte do mundo, famílias se reuniram para a ceia de Natal. Este ano, porém, o clima foi diferente. A epidemia do novo coronavírus fez com que a confraternização em geral ficasse restrita ao núcleo familiar, já que uma das recomendações das autoridades de saúde é manter o distanciamento social e evitar aglomerações.
O Natal é uma festa que, para os cristãos, significa a celebração da encarnação de Deus na história humana, por meio de um menino nascido na distante Palestina, na pequenina Belém da Judeia. Embora seja pouco provável que Jesus tenha nascido no dia 25 de dezembro, a data se firmou de vez a partir do século IV. Mesmo para quem não professa a fé cristã, esse período natalino tem sido ou deveria ser uma época propícia para a celebração familiar e entre amigos, momento de reflexão, paz, tolerância, solidariedade, altruísmo. Em sua mensagem de Natal de 2020, o papa Francisco afirmou que a pandemia é uma ocasião propícia para uma breve reflexão sobre o significado da crise em si mesma. Para Francisco, a crise é um fenômeno que afeta a tudo e a todos, presente por todo lado em cada período da história, envolve as ideologias, a política, a economia, a técnica, a ecologia, a religião. Trata-se de uma etapa obrigatória da história pessoal e social, por isso pode ser também um momento de transformação. Na prática, entretanto, o chamado “espírito natalino” parece não passar de mero formalismo, pois, depois desse período, tudo volta a ser o que era, sem sinal de que houve alguma mudança. A exclusão social, o preconceito sob diversas formas, a violência e outras manifestações negativas na vida social estão aí para provar. Não há nenhum problema que o Natal continue a ser um período de festa e confraternização, mas é preciso que não se percam os valores maiores que a data representa, sobretudo a solidariedade, e que esta não fique restrita a essa época, mas seja uma prática constante durante todo o ano. E como ressaltou o Papa Francisco, o pior seria desperdiçar a pandemia e, acima de tudo, não mudar nada de como era antes.