Opinião
Análise do homem, em tempos de contratempos
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A pandemia da Covid-19, que está fazendo o mundo sofrer, escancarou fragilidades que contribuíram para sua progressão. Tanto da parte do homem, quanto da organização do estado.
A perceptível fraqueza de lideranças nacionais, o crescimento da radicalização e da polarização política, e as comprometedoras gestões de diversos governos, num conjunto de desacertos, serviram como canais à instalação do coronavírus em espaço fértil. De modo crítico, é inegável que o Brasil está enquadrado nas citadas discrepâncias, com o agravante de que, por aqui, aumentaram, assustadoramente, a desinformação e as diferenças nas nossas relações sociais, tendo as notícias falsas (fake news) como as maiores responsáveis na alimentação desses fossos, sombreados pelo negacionismo. O clima é de grande insegurança, de “ansiedade ge(ne)ral”, até porque, nesta grave crise sanitária, as autoridades estão titubeando nas medidas vitais, e olhe que ainda não existe nenhuma previsão aceitável para o seu fim. Na circunstância atual, sem as respostas adequadas, o mínimo que temos a fazer, no exercício da cidadania, como eleitor, e pelo que estamos vivendo, observando o avanço do obscurantismo, é pesquisar por qual razão tem sido gerado tantos contratempos – comportamentos estranhos, incompreensíveis, agressivos, insensatos, despropositados, antiéticos dos entes políticos, onde determinados personagens não condizem com a posição que ocupam. Infelizmente, isso está acontecendo num dos momentos mais difíceis da história, que, acima de interesses mesquinhos, requer união, soluções rápidas e decisões cruciais. A luta que se pede é séria, instantânea, contra a morte e a favor da sobrevivência humana. Eis que vem à lembrança um determinado livro! Sempre o livro, para nos ajudar. Lá está ele, disponível num lugarzinho da estante. É do psicanalista e filósofo Erich Fromm, de título objetivo: Análise do Homem, lançado em 1947, no pós-Segunda Guerra Mundial. A leitura satisfaz. A reflexão e opinião é de cada um, mas vale para o todo. Vejam as palavras do autor: 1) “O homem é livre para escolher entre diferentes espécies de ideais, entre os devotados à adoração do poder e da destruição e os devotados à razão e ao amor”. 2) “A compreensão da motivação humana deve partir da compreensão da situação humana. 3) “A pessoa que perdeu a capacidade de perceber a realidade é insana. O psicótico constrói um mundo de realidade interior em que parece depositar inteira confiança; vive em seu próprio mundo, e os fatores comuns da realidade percebida por todos são irreais para ele; 4) “A consciência humanista representa não só a expressão do verdadeiro eu; contém, igualmente, a essência de nossas expectativas morais na vida. Nela, preservamos o conhecimento de nosso objetivo de vida e dos princípios por meio dos quais podemos atingi-lo – os princípio que nós mesmos descobrimos, assim como os que aprendemos de outros e verificamos serem verdadeiros”. Pois é. Tudo bem que nada acontece por acaso. Sucede que tudo passa. Dias melhores virão e o Mundo será outro. Dele continuaremos fazendo parte, em nova e melhor realidade. Resta-nos, comovidos, lamentar a partida inesperada de pessoas queridas. Enfim, a caminhada é o mistério da vida. Que nela tenhamos grandeza e forças para todas as batalhas do bem.