Opinião
UMA LONGA GUERRA
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O diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan, alertou, ontem que o novo coronavírus pode se tornar endêmico, ou seja, nunca venha a desaparecer, voltando de tempos em tempos. Para Ryan, se há uma coisa que as pessoas precisam aprender com essa pandemia é que é preciso se organizar e se preparar para desafios maiores.
Mesmo com a chegada de vacinas contra a Covid-19, as medidas de combate ao vírus precisarão ser seguidas por um tempo. Isso porque o objetivo principal das vacinas – ao menos as atuais – é evitar casos graves da doença e não a transmissão do vírus. Além disso, ainda deve levar tempo para que se consiga vacinar um número suficiente de pessoas para alcançar a chamada imunidade de rebanho. A pandemia do novo coronavírus provocou um grande esforço internacional na busca por medicamentos e uma vacina. Esse esforço resultou na produção de vários imunizantes, num curto espaço de tempo, e centenas de milhares de pessoas já receberam a vacina em vários países. Enquanto isso, o Brasil segue atrasado e mergulhado em incertezas. O governo federal ainda não assegurou nenhuma vacina, e ontem o laboratório Pfizer apontou excesso de burocracia da Anvisa para o registro de emergência dos imunizantes. O mais provável é que por aqui a vacinação só ocorra em fevereiro O mais grave é que parte da população parece não se dar conta da gravidade da situação. Enquanto em muitas partes do País os serviços de saúde estão entrando em colapso, as pessoas continuam saindo às ruas sem máscaras e se aglomerando, principalmente neste final de ano, em festas e confraternizações, muitas delas promovidas e incentivadas por figuras públicas. É preciso que todos tenham a consciência de que não devem colocar a própria saúde e dos outros em risco. Basta lembrar as 190 vidas perdidas desde que o vírus começou a circular no País. Se isso não é suficiente para despertar o mínimo de empatia, isso significa que essa guerra com certeza está perdida.