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Opinião

Ano velho, ano-novo!

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JOSÉ MEDEIROS * O tempo corre mais rápido? O tempo nos atropela? São as sensações que se tem, o que se percebe, o que se sente. Chega-se ao final de mais um ano quase sempre um pouco frustrado, por não ter podido aproveitar e fazer tudo o que queria, de viver cada dia e cada hora com a intensidade desejada. O tempo foi curto. O ano velho está agonizando e o aproveitamento no trabalho e no lazer dependeu da nossa concepção de vida. O importante foi sempre a postura, a atitude pessoal, diante dos altos e baixos da vida. Valeu a pena o 2003? Estudos recentes mostram que a percepção da passagem do tempo ? mais rápido ou mais vagaroso ? varia de acordo com a idade de quem observa. Os garotos esperam o ?Dia da Criança? ou a vinda de Papai Noel, com ansiedade: têm a impressão de que essas comemorações demoram anos-luz para chegar e que os presentes vêm a passo de tartaruga. Para os mais velhos, o tempo voou. Os últimos 12 meses foram embora mais depressa do que no ano anterior. Alguém alega que essa sensação de rapidez deve-se à Internet, à comunicação instantânea através da televisão, do telefone e do rádio. Diz a psicóloga Maria Alice Pimenta, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul: ?Por si só, o poderoso banco de dados dos mais velhos leva a uma percepção de que o tempo passa muito mais rápido para eles. A cada dia, cresce o registro de dados sobre o passado no cérebro. As lembranças do passado competem com as idéias que temos do futuro, diminuindo cada vez mais a sensação do presente?. Quando a pessoa está acometida de ansiedade, medo, terror ? ou vive momento de grave conflito ? o tempo parece deslizar vagarosamente, com lentidão. Quanto mais preocupada fica a pessoa, mais a passagem do tempo é sentida e sofrida. Esse fato é aceito pela Ciência. No passado, Shakespeare já se referia a momentos de desgraça com a expressão: ?São horas mais cruéis e aflitivas das quantas viu o tempo em sua lenta e eterna romaria?. Voaram os 365 dias de 2003. As coisas nem sempre foram fáceis, problemas se acumularam, soluções minguaram. Mas, chegou o Natal, incertezas são jogadas para baixo do tapete; respira-se o ar puro da esperança. Estrelas voltam a brilhar, preces reconfortam o espírito; há expectativa de dias melhores. Chegou o ?réveillon? com toda a sua simbologia: e, aí, é melhor cantar e alegrar-se como a maioria faz, repetindo o refrão: ?Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo, que tudo se realize no ano que vai nascer; muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender?. Uma fórmula mágica que Feliz Ano Novo! (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE

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