Opinião
Ainda a mis�ria
Em matéria que publicamos domingo, o secretário de Saúde do Estado, Álvaro Machado, apontou a miséria, a fome e a desnutrição como as principais causas do crescimento do índice de mortalidade infantil em 46 dos 102 municípios alagoanos. Só em Inhapi, incrustado no sertão alagoano, onde sempre, nos últimos anos, teve cidades entre as detentoras dos piores índices de desenvolvimento humano e infantil do País, até novembro, tinham morrido 34 crianças contra 24 do ano passado. A julgar pelo andar da carruagem, teremos mais um ano com indicadores sociais vergonhosos. Por causa de fatores que hoje não estariam causando tristezas e preocupações, se ao longo das décadas, não faltassem os necessários investimentos voltados para o homem do campo. Na relação dos segmentos mais afetados por essa situação, estão as populações do nosso semi-árido que, como as pessoas mais pobres das periferias dos centros urbanos, permanecem dependendo das ajudas minguadas das políticas meramente paliativas. Sem perspectiva de que se livrarão das privações, por falta de oportunidade e apoio para construir sua própria independência econômica, como até há alguns anos quando as famílias mais pobres plantavam para o próprio sustento e ainda conseguiam dinheiro para outras necessidades. Há várias décadas, o então deputado federal alagoano A. S. de Mendonça Júnior, já alertava para a questão dos campos que vão ficando desertos enquanto as cidades vão ficando superpovoadas. Ninguém mais deseja viver na insipidez das roças, sem conforto, nem assistência. No campo se deixam ficar apenas os analfabetos. Por isto mesmo, o que ainda está salvando o Brasil é a alta percentagem do analfabetismo de sua população, pois somente os que não sabem ler é que suportam o ônus da existência nas roças e lavouras. O Censo de 2000 do IBGE já constatava no contingente dos sem instrução, ou de pessoas que têm menos de quatro anos de estudo, estão cerca de 41% dos trabalhadores do Nordeste - quase o dobro da média nacional (23,5%) e mais que o dobro das regiões Sul e Sudeste, que é menos de 16%. Reside aí uma das causas da crescente miséria da nossa região.