Opinião
POBREZA CRESCENTE
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Dados do Ministério da Cidadania, divulgados pelo portal UOL, mostram que o número de famílias em extrema pobreza cadastradas no Cadastro Único para programas sociais do governo federal superou a casa de 14 milhões e alcançou o maior número desde o final de 2014. Em números absolutos, são cerca de 39,9 milhões de pessoas na miséria no Brasil. Para este mês, a tendência é que a pobreza cresça no País com o fim de auxílio emergencial e outros programas que auxiliaram pessoas, entes e empresas.
O IBGE também já havia detectado o aumento da pobreza no Brasil. De acordo com o instituto, em cinco anos, aumentou em cerca de 3 milhões o número de pessoas no País em situação de insegurança alimentar grave (fome), chegando a, pelo menos, cerca de 10,3 milhões os brasileiros nesta situação. Entram na conta somente os moradores de domicílios permanentes, ou seja, estão excluídas do levantamento as pessoas em situação de rua. Nos últimos anos, o Brasil experimentou alguns avanços sociais notáveis. O acesso à educação – do ensino fundamental ao superior – foi ampliado, a mortalidade infantil caiu significativamente, houve uma melhoria de renda e, em 2014, o País saiu do Mapa da Fome. Entre 2003 e 2014, a extrema pobreza caiu de 8,2% para 2,5 % e a pobreza, de 23,6% para 7,0%. Em termos quantitativos, a queda nesse período foi ainda mais impressionante, pois o contingente de pessoas em extrema pobreza ou pobreza era, em 2014, um terço do que era em 2003. Entretanto, com o agravamento da crise econômica e com medidas duras de ajuste fiscal e redução dos gastos sociais, a partir de 2014, aos poucos essas conquistas começaram a se perder. A pandemia do novo coronavírus só não causou estrago maior por causa do auxílio emergencial. O fato é que as desigualdades estão se aprofundando na sociedade brasileira, e especialistas atribuem isso à falta de políticas que garantam acesso a direitos básicos. O poder público ainda não conseguiu construir garantias mínimas de bem-estar social. Trata-se, portanto, de um dos problemas mais graves do País.