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Os povos do mundo inteiro começam a viver mais um novo ano. Naturalmente, na expectativa de que, quando ele terminar, todos nós só tenhamos motivos para sentir saudades de 12 meses de boas novas, férteis em paz e prosperidade, de convivência pacífica entre as nações. Principalmente, das envolvidas em conflitos permanentes e dos mais sangrentos. Saudades de um período verdadeiramente rico de justiça social. De decisões políticas de há muito necessárias, sobretudo nos chamados países em desenvolvimento, marcados profundamente pelas desigualdades, como o nosso. Expressiva parcela das populações espalhadas pelo planeta está angustiada. Sobrevive em meio às privações crescentes, colecionando frustrações, enquanto as riquezas aumentam entre os mais ricos e a miséria prospera entre os mais pobres e miseráveis. Em 2004, como os outros anos, não faltarão momentos e espaços suficientes para refletirmos sobre os tempos, recursos humanos e financeiros desperdiçados com discussões e decisões inócuas. Até para a destruição de países e o envolvimento de crianças nas guerras. Quando tudo isso deveria ter sido utilizado no combate à banalização das vidas, à fome, que ainda mina as resistências de milhões de seres humanos, na preservação e exploração racional dos mananciais, da flora e da fauna das regiões mais prósperas às mais atrasadas. Reacendem, mais uma vez, as esperanças dos governados por medidas da parte dos governantes mais direcionadas para o enfrentamento dos desafios na área social. Por menos discursos e mais ações verdadeiras. Somente assim, teremos um ano bom para todos. Especialmente no Brasil, que, nos últimos anos, passou a aparecer como um dos países mantenedores das maiores taxas de juros, com sua economia ainda mais afetada pelo fato de ter uma carga tributária no rol das mais altas de todo o mundo e sempre aumentando. Apesar de estarmos, em nível mundial, na relação dos países recordistas em desigualdades, desemprego, em mortes violentas, entre as quais as decorrentes de assassinatos. E termos, ainda, um dos piores salários mínimos, também mundialmente.

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