Opinião
Jornal roto, mensagem atual
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Entre as matérias jornalísticas mais tradicionais está, no estilo futurólogo, o comparativo do grau de desenvolvimento entre países, quanto a evolução cultural, educacional, econômica, estrutural e tecnológica, a partir da amostragem de uma conjuntura vantajosa alcançada e de poder de um deles, frente à situação (status quo) de um outro em condição inferior, de forma abrangente ou num segmento especial.
Folheando um livro antigo, revendo determinado assunto, nele encontrei um amarelado e disforme recorte de jornal, com um artigo de título alvissareiro: Japão, exemplo para o Brasil, de autoria de Medeiros Netto, professor, intelectual e político alagoano, já falecido. Não foi possível identificar se este artigo foi publicado na Gazeta ou no Jornal de Alagoas, provavelmente em 1981/1982, anos estimados pela data da edição e compra do dito livro, e na recordação de minhas idas e vindas entre o Recife e Maceió, mais frequentes à época. Passados quase 40 anos, o interessante e importante artigo continua atual. O conselho nele emitido parece não ter sido visto. Algumas considerações do autor são impressionantes, como: “Propõe-se e dispõe-se o Japão a ser um exemplo para todos os povos. ...Mostra aos olhos da humanidade como um país sabe trabalhar e construir o seus futuro. ...A administração, que os japoneses impuseram com total seriedade à nação de seus maiores, é um paradigma, que deveria ser imitado e copiado principalmente pelo Brasil, que parece continuar a não querer apontar e identificar a sua grandeza. ...O governo do Japão é fruto do dever cumprido, da dignidade, da seriedade, da austeridade, da honestidade e do patriotismo. ...Não há privilégios no Império do Japão, nem tampouco vantagens indébitas, organismos funcionais superpostos, repartições inúteis e cargos inoperantes. ...Os 120 milhões de Japoneses não se aposentam com facilidades e irregularidade iguais às conseguidas pelos 120 milhões de brasileiros. Temem, e eles mesmos não admitem, que o Japão se transforme num país de aposentados, como está se convertendo o Brasil. ...Não há, no Japão, ladrões dos cofres públicos nem funcionários indolentes, preguiçosos, e irresponsáveis. Não há deputados e senadores incapazes e incultos. Todo Japonês sabe cumprir o seu dever, porque a responsabilidade está acima de tudo. ...As mordomias e facilidades são desconhecidas pela consciência do povo japonês. ...A cultura e a educação é o supremo dever do estado. ...Toda a nação está sujeita às leis de seguro saúde. Exames médicos periódicos são obrigatórios para todas as pessoas que já hajam completado seis anos de idade. ... A indústria é o segredo da prosperidade maior desse país, que é capaz de industrializar tudo, que venha a cair nas mãos de seus filhos”. No parágrafo final, diz Medeiros Netto, como se estivesse escrevendo em 2021: “É lamentável que a minha pátria, tão cheia de sol e de esperança, apelidada de PAÍS DO FUTURO, não esteja ainda amadurecida, depois de quase cinco séculos, para ser uma potência no presente”. Medeiros Netto foi uma pessoa muito respeitada nas Alagoas. Político filiado ao PSD e Arena, escreveu este artigo ainda na vigência da Ditadura Militar, daí sua valiosa isenção. Despeço-me por aqui, pois vou tentar comprar minha seringa pra tomar a vacina, se ele chegar.