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CORONAVÍTIMAS

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O Brasil atingiu ontem mais uma triste marca. Dez meses após o registro da primeira vítima de coronavírus em território brasileiro, em 16 de março, o País contabiliza mais de 200 mil mortes pela doença. Somos o segundo país com mais óbitos em números absolutos, atrás apenas dos Estados Unidos. A boa notícia veio do Instituto Butantan, que atestou uma eficácia de 78% para a Coronavac, vacina produzida pela instituição em parceria com a empresa chinesa Sinovac.

Mais tarde, o ministro da Saúde, general Pazuello, anunciou que o governo havia negociado a compra de 100 milhões de doses do imunizante com o Butantan. Com isso, cresce a expectativa quanto ao início da vacinação, que pode ocorrer ainda este mês. Enquanto isso não ocorre, é preciso refletir sobre a condução do combate à pandemia ao longo desses meses e o que levou ao número elevado de mortes. À medida que a pandemia crescia no Brasil, ficava evidente a falta de coordenação entre o governo federal e os estados. Medidas de fechamento do comércio e divisas circulavam nas diferentes regiões do País sem que uma orientação ou norma da União pudesse esclarecer a necessidade e a viabilidade dessas ações. Em decorrência da inércia da União, estados e municípios passaram a agir por conta própria. No governo federal, o Ministério da Saúde teve seu titular substituído duas vezes. Para especialistas, a falta de um plano nacional de coordenação é um dos fatores diretos pela crise. Os ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich entraram em rota de colisão com o presidente por se negarem o uso da cloroquina como medicamento contra a Covid-19. Bolsonaro, então, escalou para o cargo um militar, mais afeito a cumprir ordens. Agora, com o anúncio da compra da Coronavac, espera-se que a questão da vacina seja despolitizada e que o governo elabore um plano logístico eficiente para que o imunizante chegue a todo o País o mais rápido possível, para que, daqui a alguns meses, grande parte da população esteja imunizada, estancando o número de casos e, principalmente, o número de óbitos, pois já morreu gente demais.

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