Opinião
Pequeno Balan�o
EDUARDO BOMFIM * Meus companheiros e companheiras, amigos e amigas. Em 2004, quando as energias precisam ser redobradas em decorrência de grandes conflitos, torna-se imprescindível uma reflexão bem mais consistente. Nós que somos combatentes do campo da resistência, sabemos muito bem a força imensa que possui o adversário. Fundamentado nas armas, no capital e também nas idéias. Difunde mentiras escandalosas, em fração de segundos, através dos meios de comunicação via satélite. E o dito fica pelo mencionado. E o não dito, normalmente a verdade em sua real complexidade, divulga-se por meio de portais na Internet, artigos na grande imprensa, ocupando-se, nestes casos, brechas em espaços valiosos, mas sempre imponderáveis. Evidente que existe a chamada imprensa de esquerda, progressista, patriótica, orgânica ou não. Convenhamos, trata-se de uma queda de braço desproporcional. Partindo deste diagnóstico factual, cabe a pergunta - porque então o imperialismo, principalmente o norte-americano, aumenta a pressão militar contra os povos, adota medidas cada vez mais restritivas, beirando em algumas circunstâncias ao neofascismo, intensifica a propaganda escrita, através de revistas, jornais e outras publicações? Porque consideram insuficiente o bombardeio midiático. O projeto econômico, urdido doutrinariamente nos laboratórios da Universidade de Chicago e outras, faliu, esgotou-se. Por sinal, nem é original e muito menos recente. Sofreu uma maquiagem, uma adaptação ideológica e ajustado aos novos tempos da revolução científica e tecnológica, possibilitando uma maior velocidade transacional do capital. E um revestimento teórico, ideológico e cultural. Trouxe um verdadeiro terremoto de miséria, exclusão social e extrema vulnerabilidade nas economias das nações emergentes, por intermédio dos arrochos fiscais, fictícia estabilidade das moedas, estagnação produtiva, queda do salário real dos trabalhadores, desmantelamento do aparelho Estatal essencial ao desenvolvimento econômico, etc. E tudo isto pode ruir como um castelo de areia em função de oscilações, taxas de risco país ou mesmo melhores oportunidades de lucros em algum ?paraíso?, onde a especulação do capital parasitário torne-se bem mais atraente. Mas estes efeitos, digamos assim, colaterais, só foram percebidos recentemente pelas amplas massas do povo dos vários continentes, inclusive o sul americano e nele, o Brasil. Tanto que os neoliberais ganharam duas eleições consecutivas, reinaram em nosso país por oito anos. Apesar das recentes derrotas eleitorais em vários países, sendo a mais significativa a brasileira, com a vitória de Lula em 2002, o imperialismo e o capital financeiro possuem a iniciativa, o poder e a hegemonia globais. No campo cultural, como exemplo, há grande parte de uma geração na UTI, vitimada pelo individualismo extremado, ausência de ética nas relações sociais, espírito mercenário compulsivo, labirintite ideológica aguda e um cinismo digno de corar Nelson Rodrigues, se vivo estivesse. São as baixas desta tremenda batalha. Alguns plenamente recuperáveis, outros em situações dramáticas. Foi uma dose cavalar. No entanto, as derrotas do império e do capital rentista continuam se multiplicando. As esperanças depositadas nas forças de esquerda que representam o destacamento avançado destas amplas frentes vitoriosas tornam-se um alento e ao mesmo tempo uma armadilha. Mesmo porque, nelas próprias existem defensores da política anterior, combinada com um certo glamour de justiça social. Não vamos abandonar o campo de batalha conquistado, e ao mesmo tempo precisamos deslocar os recalcitrantes de suas posições. Adotar uma política fundamentada em uma frente nacional antiimperialista e contra o capital especulativo, o que dá no mesmo hoje. Buscamos, sob novas circunstâncias históricas, retomar os caminhos interrompidos por várias vezes, em nosso País. Sempre fustigados pela reação, cooptação de quadros, tensões e o esquerdismo infantil voluntarista, de outro lado. Mas este é o caminho que atualmente a vida nos apresenta. (*) É ADVOGADO