Opinião
Esperan�as renovadas
É praxe da época de início de novo ano a renovação de esperanças de dias melhores. Até mesmo quando as perspectivas não são das mais animadoras, isso se manifesta inconscientemente, mais como um desejo de alterar o cenário futuro e torná-lo atraente, do que algo efetivamente prometido pela realidade. Como diria uma marchinha popular: ?Este ano não vai ser igual àquele que passou...?. Pela ótica do governo o pior já teria passado: ?Nós conseguimos, então, reduzir a inflação, baixar o risco-Brasil, estabilizar a economia e fazer o Brasil voltar a ter credibilidade no mundo, o que é muito importante?, diz o ministro da Casa Civil do governo do presidente Lula, José Dirceu. Para o ministro, o País precisa de emprego, investimento em saneamento e habitação, o País precisa resolver esse problema agrário, da reforma agrária e equacionar o problema da segurança pública, que está ligado aos investimentos urbanos e ao problema educacional. Essa tem que ser a prioridade de 2004?. O ano findo não deixará saudades para a maioria da população brasileira, pois desemprego recorde e queda na renda dos trabalhadores foram as marcas mais fundas. Sem falar, é claro, no desempenho de nossa economia, que patina numa média de crescimento em torno de 2% ao ano, na última década; e neste ano, não crescerá (?) mais do que 0,3%, segundo as últimas projeções do Banco Central divulgadas no penúltimo dia do ano passado. A esperança do governo no começo de 2003 era de que a economia crescesse 2,8%. De lá para cá, foram quatro projeções diferentes, todas convergindo para crescimento zero: 2,2% em março, 1,5% em junho, 0,6% em setembro e 0,3% em dezembro. É o pior desempenho da economia brasileira desde 1998 (crescimento de apenas 0,13%). Para 2004, o BC projeta crescimento de 3,5% para a economia brasileira. O cenário para que este índice seja atingido é baseado na estabilização da cotação do dólar em R$ 2,94 e da taxa básica de juros da economia (taxa selic) em 16,5% ao ano. Porém, se o Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) aumentar a taxa de juros interna, os capitais internacionais hoje aplicados no Brasil tenderiam a fazer o caminho de volta e nós teríamos de novo mais uma crie cambial, que jogaria por terra todo o esforço do governo realizado em 2003. Apesar da euforia do ano novo, a fragilidade da economia brasileira continua preocupante e não se tem esperanças de que medidas antecipadoras (tipo controle do fluxo de capitais) estejam sendo cogitadas pelo governo. No mais, é ter fé e esperar que as previsões para este ano ? pelo menos desta vez ? se confirmem.