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Opinião

LIÇÕES NÃO APRENDIDAS

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Enquanto os brasileiros aguardam ansiosos o início da vacinação contra a Covid-19, em várias partes do País a situação da pandemia continua se agravando. É o caso de Manaus, capital do Amazonas, que enfrenta o colapso de seu sistema de saúde.

Na quarta-feira, a cidade bateu um novo recorde negativo: foram 2.221 novas hospitalizações só nos 12 primeiros dias de janeiro. O número é maior do que o total de internações registradas em todo o mês de abril, primeiro pico da pandemia no Amazonas. A explosão de casos gerou outro problema: o desabastecimento de oxigênio. O governo do Amazonas informou que está com uma demanda por oxigênio quase três vezes superior ao que seus fornecedores são capazes de entregar para abastecer as unidades de saúde da rede estadual. Até a importação do produto da Venezuela está sendo estudada. A situação é tão crítica, que o governador Wilson Lima anunciou que terá de transferir doentes para tratamento em outros estados e também decretou toque de recolher entre 19h e 6h. O drama vivido na capital do Amazonas, repetindo cenas vividas nove meses atrás, parece mostrar que governo e população não aprenderam as lições deixadas pela crise sanitária. Apesar do alerta das autoridades de saúde, houve um relaxamento geral. Medidas básicas como o uso de máscara foram aos poucos abandonadas, e as aglomerações foram se tornando rotina. A conta está chegando agora. O fato é que a segunda onda que castiga a cidade joga por terra a perspectiva da chamada imunidade coletiva ou “imunidade de rebanho”, quando a doença se espalha de tal forma que impede ou reduz ao mínimo a transmissão do vírus. Especialistas dizem que se as autoridades tivessem ouvido os alertas feitos a partir de agosto e cumprido outras semanas de restrições, não estaria em novo colapso como agora. Agora cabe ao resto do País acordar para realidade da epidemia. Enquanto a maior parte da população não tiver sido vacinada, não se pode relaxar nas medidas de prevenção. O contrário disso é colocar em risco a própria vida e a vida dos outros.

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