Opinião
Sonhos da paz
PASCHOAL SAVASTANO * O valor mais precioso cogitado pelo mundo e almejado pelos seres humanos representa a paz. Um ideal acalentado pelo curso de todas as civilizações. O pacto de união entre os povos se transformou, perante a história, em quase uma quimera. Imensas e graves conseqüências marcam os resultados dessa desilusão. Existe uma fundamental conexão entre o tema da paz e a legendária defesa dos direitos do homem. Ambas questões continuam a desafiar a consciência das nações civilizadas. Sua importância continua a decidir a sobrevivência dos povos, sendo a verdadeira bússola dos substanciais anseios do progresso. A Declaração Universal dos Direitos do Homem celebra como primeira inspiração ? a liberdade, a justiça e a paz do mundo. Todas as Cartas firmadas posteriormente, a exemplo da Conferência de Helsinque, falam de uma paz duradoura e livre das ameaças que abalam a segurança e o desenvolvimento sonhados por todos. O olhar desencantado da história registra a cruel realidade dos regimes despóticos e os efeitos devastadores das guerras insensatas. O estado de guerra será sempre incompatível com a marcha da civilização, pelo imenso número de vítimas produzido e pela negação aos avanços construídos com tantos sacrifícios e fervorosos idealismos. O direito à vida não é somente a garantia dos valores sentimentais que ligam o homem à sua terra e à sua gente. Mas, como declara a constitucionalista pátria Carmem Lúcia Antunes Rocha, é o direito a realizar o eterno projeto humano de ser dignamente feliz. Os pensadores políticos lembram as angústias da humanidade para obter os necessários recursos para soerguer o Terceiro ou Quarto mundo. E, comparam com as multiplicadoras soma dos dinheiros gastos em pouco tempo - com armamentos e circunstâncias bélicas que desviam forças e possibilidades para melhorar o mundo. As graves reflexões do homem revelam seu amor à paz a partir da avaliação do estado de guerra que coloca sua vida em perigo, a posse dos seus bens ameaçada e seu futuro marcado por incertezas. As dolorosas justificativas da guerra induzem à filosofia da própria história. Um mal necessário, uma incontrolável ambição humana ou um castigo divino. Em toda parte do universo existe um apelo em favor da paz. Uma prece incessante em busca da concórdia e da ordem. Os conflitos não devem invocar a razão das armas, mas as armas da razão, afirma a ciência política. A lógica do novo tempo preconiza a mensagem da grandiosa missão de se propagar o bem. (*) É advogado