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Educar para a paz

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DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * No dia 1º de janeiro, na abertura do ano novo, celebramos mais um Dia Mundial da Paz e da Confraternização Universal de todos os homens e de todos os povos. Mais do que celebrar o Dia da Paz, somos chamados a viver e a promover a paz. Mas afinal o que é a paz? Com o Vaticano II respondemos: ?A paz não é a mera ausência de guerra, nem se reduz ao simples equilíbrio de forças entre os adversários, nem é resultado de opressão violenta. É fruto da ordem que o seu fundador divino inseriu na sociedade humana?. Fiel ao seu divino fundador e seguindo seus passos, a Igreja, através dos tempos, sempre se colocou a serviço da paz. De modo particular, nos últimos tempos, ela tem promovido continuamente a paz. Vale a pena relembrar um pouco sua inestimável contribuição. Em 11 de abril de 1963, o papa João XXIII, em sua inesquecível Encíclica ?Pacem in Terris?, dizia: ?Os quatro pilares da paz são: a verdade, que supõe a consciência dos próprios direitos e dos deveres para com os outros; a justiça, que exige o respeito aos direitos alheios e o cumprimento dos próprios deveres para com os outros; o amor, que supõe assumir como próprias as necessidades dos outros e a partilha dos próprios bens; a liberdade, que exige o seguimento da razão e nos leva a assumir corajosamente as responsabilidades dos próprios atos. Sem estes quatro elementos, é impossível a paz?. Também, em quatro de outubro de 1965, o papa Paulo VI declarou na Organização das Nações Unidas (ONU): ?A paz deve guiar os destinos da humanidade e dos povos. Se quereis ser irmãos, deixai cair as armas de vossas mãos. Não se pode amar com as armas em punho?. Mas, recentemente, são insistentes e valiosas as contribuições do papa João Paulo II em favor da paz, afirmando: ?Se a paz é obra de Deus, é também tarefa dos homens?. Em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz em 1999, ele afirmava que a paz está muito ligada ao respeito aos Direitos Humanos: ?Quando a promoção da dignidade da pessoa é o princípio orientador que nos inspira, quando a busca do bem comum constitui o empenho predominante, estão a ser colocados os alicerces sólidos e duradouros para a edificação da paz?. Ainda em sua mensagem para o ano de 2002, ele indica o diálogo entre as culturas para uma civilização do amor e da paz. No ano passado, em sua mensagem, ele apresentou o seguinte tema: ?Paz na terra: um compromisso permanente?, relembrando a valiosa contribuição de seu predecessor, o papa João XXIII. Para este ano de 2004, o tema para o Dia Mundial da Paz é o seguinte: ?Um compromisso sempre atual: Educar para a paz?. Como uma iniciativa concreta, relembra sua mensagem no ano de 1979, com o tema: ?Para alcançar a paz, educar para a paz?. Dirige-se sucessivamente: aos chefes das nações que têm o dever de promover a paz; aos juristas empenhados em traçar caminhos de pacífico entendimento, preparando convenções e tratados que reforçam a legalidade internacional; aos educadores que em cada continente trabalham incansavelmente para formar as consciências no caminho da compreensão e do diálogo; aos homens e às mulheres que se sentem tentados a recorrer ao inadmissível instrumento do terrorismo, comprometendo assim pela raiz a causa pela qual combatem. A todos ele diz: ?Escutai todos o apelo humilde do sucessor de Pedro, que clama: Hoje, no início do ano de 2004, a paz continua possível. E se é possível, então a paz é um dever!?. Sejamos todos construtores da Paz! (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ.

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