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Opinião

A ÉTICA E A MORAL NA PANDEMIA

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Mário Sérgio Cortella escreveu: “É necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciência e começarmos a achar que tudo é normal”, daí, o momento da pandemia de Covid-19 no Brasil ser apenas uma fotografia. O filme completo, com início, meio e fim, ainda está indefinido. Agora, constatamos com angústia: 1) o avanço da pandemia, que já superou os 222 mil óbitos e elimina mais de 1mil brasileiros diariamente; 2) a previsível ausência de vacinas até para imunizar a primeira faixa dos mais vulneráveis,75 milhões de pessoas ou 150 milhões de vacinas; 3) o caos em Manaus, que matou por anoxia, somada à nova linhagem do vírus, a P.1, e seu espalhamento para outras regiões; 4) a aquisição de vacinas pelo setor privado e 5) a compra urgente de vacinas para os mais vulneráveis.

1) Em recente sessão virtual da Academia Nacional de Medicina, o professor José Luiz Filho, que tem acertado na maioria das previsões, não enxerga uma redução do crescimento da pandemia, no que é corroborado pelos cientistas mais gabaritados - ela pode até intensificar-se bastante. (2) A falta de vacinas é um genocídio anunciado e que poderia ter sido evitado, caso o governo federal tivesse agido de forma minimamente adequada. Houve desleixo, terraplanismo e incúria que precisam ser corrigidos urgentemente. (3) O caos em Manaus poderá se espalhar pelo País, o que já está ocorrendo em estados da região Norte.

4) A falta de oxigênio em Manaus foi alertada ao Ministério da Saúde previamente. Existem documentos o comprovando, mas o general Pazuello desconsiderou os alertas e foi a Manaus para fazer propaganda do Kit Covid (cloroquina, ivermectina, azitromicina), proposta considerada charlatanismo pela ciência e que não poderá ficar impune. Muitas mortes ocorreram em consequência disso. A nova linhagem do vírus, a P.1, é ainda mais agressiva, pois contamina muito mais rapidamente, aumenta bastante a carga viral dos acometidos, eleva a quantidade de pacientes graves e sobrecarrega ainda mais os hospitais, acrescendo muito o número de mortos. Essas novas linhagens têm ainda a capacidade de se tornar resistentes às vacinas e causar mais reinfecções, consequências gravíssimas do retardo e da lentidão da vacinação. 5 ) A compra de vacinas pelo setor privado, para distribuição privilegiada (fura-filas com aval do governo federal), além de antiética e imoral, foi sustada pela AstraZeneca, mostrando que o setor privado (cujo fundamento é o lucro) pode ser mais ético do que certos governos. (6) Uma disponibilidade de vacinas para os mais vulneráveis encontra dificuldades imensas e plenamente previsíveis há pelo menos 10 meses. Isso só não foi reconhecido pelo governo federal, que desprezou todas as corretas informações da ciência e da imprensa, a qual continua atacando, objetivando desviar a atenção e a culpar por sua incapacidade e incompetência. (6) Precisamos obter vacinas o mais rápido possível e onde possam estar disponíveis: as do Butantan assim estão, mas o governo federal perversamente retarda a sua aquisição, precisamos delas e da AstraZeneca, da Johnson, Pfizer, Sputnik, as que houver no mercado. A ética, subjugada até agora pela imoralidade, pela truculência e pelo negacionismo, não poderá mais ser amordaçada e as consciências anestesiadas. Basta de incompetência, de fake news, de teorias da conspiração e da enxurrada de desinformações. Temos mortos demais, que seriam evitáveis e isso NÃO É NORMAL. Existem crimes contra a saúde publica e eles precisam ser apurados e julgados, sem retardar ainda mais as providências que a ciência há tanto tempo reclama. Precisamos de vacinas!

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