Opinião
CONVITE AO DIÁLOGO
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Como sempre faz desde a década de 1960, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançou, na Quarta-Feira de Cinzas, mais uma Campanha da Fraternidade. Em linhas gerais, a iniciativa tem como objetivo conduzir o povo católico a refletir sobre algum problema concreto brasileiro nos âmbitos da saúde, do meio ambiente, da família, dentre outros. Este ano, com caráter ecumênico, o tema da campanha é “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”, e o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”.
O texto-base da campanha levanta alguns pontos pontos, como a crítica aos discursos negacionistas sobre a Covid e à negação da ciência; a violência contra grupos vítimas de preconceito e intolerância – juventude negra, mulheres, povos tradicionais, imigrantes, grupos LGBTQI+; a resistência ao isolamento social, tanto por parte do governo quanto de uma parcela significativa da sociedade, inclusive de algumas igrejas. De acordo com a CNBB, a campanha será voltada ao diálogo para a superação das polarizações e das violências que marcam o mundo atual, em especial no contexto da política e da pandemia de Covid-19. A entidade explica que o tema do diálogo é uma continuidade da campanha de 2020, sobre cuidado mútuo entre as pessoas, e não se trata de “querer que todos pensem do mesmo modo”, mas de perceber que a diferença é convite ao diálogo. De fato, nunca a sociedade brasileira esteve tão polarizada quanto nos últimos anos, e essa situação pode ser vista não apenas na vida política, mas até mesmo no campo religioso. O próprio tema da Campanha da Fraternidade deste ano tem encontrado resistência por parte de alguns setores da Igreja Católica, que atribuem à iniciativa da CNBB motivações de cunho ideológico mais à esquerda. Até por isso mesmo, nada mais apropriado do que conclamar a sociedade a buscar o diálogo e a convivência pacífica, mesmo com modos diferentes de pensar. É preciso combater a intolerância e o radicalismo. A divergência de pontos de vista não pode descambar para atos de violência.