Opinião
Desemprego e inclus�o
Alagoas, ao longo das últimas décadas, tem se ressentido de um projeto de desenvolvimento. Hoje parece ser consenso, dentro do governo estadual, que a última base para que ocorresse um processo deste tipo remonta aos anos 60 com a criação de empresas estratégicas para o Estado: Companhia Energética de Alagoas (Ceal), Companhia de Abastecimento de Saneamento e Água de Alagoas (Casal), Banco do Estado de Alagoas (Produban) e a Companhia Telefônica de Alagoas. Em pleno século XXI, quase quarenta anos depois das primeiras iniciativas, Alagoas volta a discutir a elaboração de uma agenda de desenvolvimento. Na avaliação do secretário de Desenvolvimento em declarações publicadas na GAZETA, edição de domingo último, ?Depois de ajustarmos as contas e sairmos (o Estado de Alagoas) do vermelho em termos econômicos, estamos em condições ideais para que possamos receber empresas?. Durante o governo FHC, é verdade, todos os Estados foram obrigados a promover um doloroso arrocho fiscal (com um custo social altíssimo), para atender as metas do acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Foi o denominado na ocasião ?fazer o dever de casa?: quem não fizesse não tinha acesso aos parcos recursos federais, quase todos contingenciados para atingir a meta do superávit primário acertado com o Fundo. Na ótica da equipe econômica de então, o arrocho fiscal seria a condição básica para que o Estado recuperasse não apenas sua capacidade de investimento, mas ? sobretudo ? a condição de planejar seu desenvolvimento. Na realidade, a imposição de uma política única para Estados em situações diferentes reforçou as distorções da federação brasileira ao tornar os Estados ainda mais dependentes das decisões políticas do governo federal. Se o futuro de Alagoas e seu desenvolvimento estão assentados em bases sólidas, como assegura o secretário de Desenvolvimento, resta esperar o anúncio do montante de recursos que serão destinados à promoção de investimentos e, também, as metas de inclusão social, num estado em que as estimativas governamentais de desemprego variam de 300 mil a 1 milhão de pessoas atingidas. Promover o desenvolvimento e incorporar este contingente de excluídos à vida produtiva, eis o enorme desafio.