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Opinião

Efeito retardado

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Por Editorial | Edição do dia 27/02/2021 - Matéria atualizada em 26/02/2021 às 21h36

No mês de setembro passado, quando Alagoas completou 203 anos de existência, a Gazeta fez um balanço do cenário estadual. Em plena pandemia, expôs estatísticas oficiais e comparou com indicadores de gestão, para suscitar o debate acerca da “nova normalidade” que desejamos construir.

Lançou até um questionamento acerca dos critérios estabelecidos pelo governo do Estado para aplicação de recursos captados por empréstimos. Só da Corporação Andina de Fomento, foram US$ 136 milhões. Com a busca governamental por empréstimos nacionais e internacionais, os alagoanos vão começar a bancar o pagamento dessa dívida num futuro próximo. Daí a necessidade de focar imediatamente no salto de qualidade a ser conquistado com os valiosos recursos disponíveis para investimento. Primeiro, não podemos esquecer do nosso maior drama: a escalada da pobreza extrema nos últimos anos. Se, antes da pandemia, ainda no encerramento de 2019, o IBGE aferiu uma legião de 570 mil alagoanos em situação de grave vulnerabilidade social, avalie com a crise sanitária imposta pela Covid-19. Daí ter sido recebido, com sensação de retardo, o recente discurso do governador Renan Filho, na abertura do ano legislativo. Destaque-se o momento em que efetuou uma defesa entusiasmada do Cartão CRIA, item principal de seu “pacote de bondades”. Nos últimos anos, o deputado Bruno Toledo (PROS/AL), que representou o Legislativo no Conselho do Fecoep, foi uma das vozes que cobraram clareza do governo no uso dos recursos do Fundo. O uso dessa fonte em obra de concreto armado tornou-se recorrente. Para encaixá-la no conceito de combate à pobreza, o governo desenvolveu uma espécie de tese, “via Poço”, no intuito de legalizar o desvio de finalidade. Somente agora, após tantos anos de debates, os parlamentares finalmente ouviram o governador falar - com a euforia de quem está começando - sobre a necessidade de se transferir renda para os pobres, a fim de dinamizar a economia e gerar empregos. Acontece que o Fecoep já existia desde o primeiro ano de seu governo. De lá para cá, o Fecoep arrecadou mais de R$ 1 bilhão para o combate à pobreza, que passou tantos anos sem um plano estadual, como determinou a lei que o instituiu. O CRIA começa investindo R$ 18 milhões ao mês. É um montante muito modesto para iniciar o enfrentamento do gigantesco abismo social – ainda mais agravado pela crise. Mas, antes tarde do que nunca.

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