Opinião
A moeda
LUIZ G. BARROSO FILHO * Nove anos depois do seu lançamento como unidade monetária do País, a moeda de R$ 1,00 acaba de sair de circulação, sendo substituída por outra com um ?design? melhor elaborado que dificulta a falsificação. Contudo, o modelo bimetálico vigente não é original. Em período recente, ele já foi utilizado por países como a Argentina, Canadá, França, Itália e México. A moeda ora recolhida e perdeu definitivamente seu poder de compra, no dia 23 de dezembro, passou a ganhar importância histórica, porque fez parte de um processo de mudança nos rumos da economia brasileira, com a instituição do chamado Plano Real, em 1994. No entanto, cunhada em aço inoxidável, apresentando apenas a efígie da República no verso e a sigla monetária e a data no reverso, não desperta a atenção dos numismatas e colecionadores, por ser uma peça simples, desprovida de qualidade artística, de informação de interesse cultural e de segurança contra adulteração, ao contrário das que circularam no início da República (1889), até 1942, quando o padrão monetário era o mil réis, período em que foram cunhadas séries completas de moedas de prata e de ouro, como as de 10 e de 20 mil réis, confeccionadas até 1922, incluídas, hoje, na lista das mais bonitas do mundo. Tais moedas, consideradas verdadeiras obras de arte, são muito disputadas por colecionadores. Por outro lado, o prestígio das moedas brasileiras vem decaindo no comércio numismático, desde o advento do cruzeiro (1942), sucedido pelo cruzado (1986), cruzado novo (1988), cruzeiro novo (1990), cruzeiro real (1993) e real a partir de 1994. Como se vê, as várias mudanças do padrão monetário ocorridas no período compreendido entre o cruzeiro e o real concorreram para isso, considerando os desacertos da política econômica e a escalada inflacionária. Assim, a moedinha de R$ 1,00, que já teve a mesma cotação do dólar, na época do seu lançamento, sai de cena desvalorizada para ser simplesmente uma peça a mais no acervo dos colecionadores. A respeito do real como dinheiro oficial do país, convém salientar que ele apenas ressurgiu no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, pois no início da colonização portuguesa, até 1694, a moeda que circulava no Brasil era a mesma da antiga metrópole e tinha essa denominação. (*) É COLECIONADOR