Opinião
O exemplo de Churchill
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Esquilo (525- 456 a.C ) escreveu: “Na guerra, a primeira vítima é a verdade”. O Brasil entra na pior fase da guerra da pandemia de Covid-19 com recordes de mortes diários há mais de 40 dias. Os governadores procuram o Congresso, pedem ajuda ao presidente da Câmara e formam consórcios para tentar comprar vacinas. Prefeitos, atônitos, igualmente. O STF dá o respaldo para que os entes federados possam cumprir com sua missão de preservação da vida humana. Previsivelmente, não existem vacinas para comprar no mercado. O tempo certo para comprá-las foi desprezado pelo governo federal.
Capitais estão com os hospitais e UTIs superlotados, fecham o comércio, buscando frear o avanço descontrolado do vírus e suas variantes, que reinfectam pacientes já acometidos. Vírus diferentes coinfectam um mesmo paciente, o que leva os seus genomas a se misturarem no corpo e criarem novas cepas com características mais agressivas de ambos e que escapam às vacinas. As variantes atuais apresentam uma carga viral 10 x maior e 2 x maior de contágio. Quanto mais tempo o vírus permanecer circulando, mais variáveis letais serão criadas. O descontrole da pandemia, associado ao negacionismo do presidente da República, renegando o uso das máscaras, promovendo aglomerações públicas, recomendando medicamentos sem comprovação científica e sabotando as vacinas, concretiza desprezo pela vida da população e fez com que o Brasil se torne um ameaça mundial inusitada. Na Inglaterra, o conservador Boris Jonhson, que era negacionista, depois de acometido pelo vírus e passar na UTI, tornou-se um combatente dessa guerra, sempre usando máscaras, visitando hospitais, participando de vacinações. Churchill, símbolo do conservadorismo, em sua obra “Memórias da Segunda Guerra” descreve o seu Gabinete de Guerra para enfrentar a máquina nazista. Impôs uma única condição: só assumiria o comando caso houvesse uma coalizão com a oposição, representada pelos Trabalhistas e os Liberais. Enfrentar uma guerra longa e inclemente, só poderia ser assumida caso houvesse uma união concreta dos britânicos. Aquela foi uma união suficientemente robusta para que fosse o sustentáculo da resistência britânica e da vitória final contra Hitler. O caminho traçado pelo presidente Bolsonaro, desde o início da pandemia, foi o da desagregação, com ataques aos governadores, ao Judiciário, ao Congresso e à imprensa, sempre tratando-os como inimigos, enquanto o vírus, o único e real inimigo, se disseminava e matava milhares de brasileiros. A esperança agora está na união dos governadores, prefeitos e Congresso nacional para nos trazer vacinas, tão rápido quanto possível.