Opinião
Os impactos da pandemia
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Há pouco mais de 1 ano, o Brasil registrou o primeiro caso de infecção causada pelo Novo Coronavírus e, desde então, a pandemia vem produzindo repercussões não apenas na área da saúde, mas trouxe consigo os mais diversos impactos sociais, econômicos, políticos e culturais. Impactos sem precedentes e que provocam mudanças históricas em escala global.
No Brasil, os números se aproximam dos 11 milhões de casos e mais de 260 mil mortes e expõem, claramente, a fragilidade dos sistemas sociais. Em uma discussão sem fim sobre os impactos econômicos causados pela pandemia, é preciso ser realista sobre o que está por vir. Vivemos em sociedade e, talvez, esse seja de longe um dos maiores desafios: manter o distanciamento social. A natureza humana grita pela volta da socialização. Entretanto, isso não se aplica, impreterivelmente, ao trabalho. As empresas, em sua grande maioria, conseguiram direcionar seus recursos humanos para o trabalho home office ou remoto e tem mantido a produtividade e eficiência. Aliado a isso, vimos uma disruptura tecnológica acentuada com a criação de assistentes digitais que auxiliam, e muito, nessa transição. Até a forma de contratação foi repensada. Deixamos de lado as entrevistas presenciais e a necessidade de ter o colaborador presencialmente no escritório. Contratar os melhores do mundo tornou-se mais fácil, e eficiente. É, claramente, uma globalização. Porém, essa mesma tecnologia que ajuda em determinados setores, muda o perfil de operação e ocupação segmentos como o hoteleiro, que tem grande fatia de lucro decorrente de eventos como congressos e reuniões. Boa parte do que antes avaliávamos como necessário ser presencial, tornou-se possível virtualmente: igreja, academia, passeio em museus, cinema, etc. Empresarialmente falando, aqueles que não investirem em tecnologia vão sofrer bastante, alguns vão falir. Não será mais possível existir empresas tradicionais. Aquelas que não ofertarem seus produtos e serviços on-line, com entrega ou disponibilização virtual, estão com seus dias contados. E por falar em on-line, outro reflexo da pandemia se deu na educação. Mesmo na rede privada, muitas escolas ainda não estavam preparadas para adotar aulas on-line, um desafio que se tornou ainda maior na rede pública. A educação nunca mais será igual e a desigualdade no acesso à educação ficou ainda mais clara quando observamos a falta de condições de milhões de estudantes, que enfrentaram carência de conexões rápidas à internet, computadores e ambiente doméstico propício para a aprendizagem à distância. Porém, essa é a nova realidade: escolas e universidades passaram a adotar um ensino híbrido e não haverá retorno. A pandemia trouxe medo, incertezas e insegurança. Mas também trouxe uma revolução. Precisamos enxergar a pandemia em todos os seus aspectos, bons e ruins. Mas precisamos enxergá-la, principalmente, como uma oportunidade de repensar e recomeçar. É um momento de pensarmos como um todo, de cuidarmos de nós e do próximo.