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Opinião

A incerteza do investimento

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É inegável, para qualquer investidor, a incerteza que ronda as ações da maior companhia do país, a Petrobras. Nas últimas semanas, após a escalada dos preços da gasolina e diesel nas refinarias, novas ameaças de greve por parte dos caminhoneiros – nem de todos, verdade seja dita -, começaram a pairar no Palácio do Planalto, em Brasília. Preocupado com a reeleição, assim como todo e qualquer um que estivesse em seu cargo e com a possibilidade de esticar o mandato por mais quatro anos, Jair Bolsonaro se viu diante de uma encruzilhada: manter o discurso liberal, a autonomia da mais importante empresa petrolífera da América Latina e ver sua popularidade cair, recebendo a “culpa” pelo aumento dos combustíveis; ou atuar de maneira intervencionista e alterar os quadros da Petrobras, bem como realizar outros ajustes. Bolsonaro optou pela segunda opção. O resultado: somente com o rumor e insinuação de troca no comando da estatal, as ações já caíram perto de 8% na sexta-feira (19).

Após a efetivação da alteração da presidência da empresa, os papéis registraram queda próxima aos 15% na abertura do pregão da B3 desta segunda-feira (22), indicando o receio de investidores de aumentar suas posições na estatal, ou até mesmo manter, tendo em vista que, se uma empresa sofre alterações por puro medo de queda de popularidade pessoal do Presidente da República, que autonomia e visão de futuro têm esta estatal?

Salim Mattar, ex-secretário especial de Desestatização e Privatização do Ministério da Economia, manifestou-se assertivamente com relação ao tema em entrevista, e faço minhas as palavras dele: “Quando um governo faz opção de abrir o capital de uma empresa, captando investimentos de pessoas físicas, jurídicas e de investidores estrangeiros sabe que ela será regida sob o manto do mercado. Se o governo deseja intervir numa empresa, primeiro não deveria ter aberto seu capital”.

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