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Opinião

Velhos desafios, diferente comando?

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Na semana na qual a Fiocruz reconhecia oficialmente que o Brasil enfrentava a maior crise sanitária e hospitalar da sua história, o ministério da Saúde abrigava o seu quarto ministro em um ano, outro recorde mundial a contribuir para a rotulação de o Brasil deter a pior condução da pandemia no mundo. O novo ministro é um médico. O que isso significa atualmente: ainda é uma incógnita. O Dr. Queiroga, o novo ministro, disse que assumiu o cargo “para rezar na mesma cartilha”, “para dar continuidade” ao trabalho do general Pazuello, aquele que se limitava a cumprir as ordens absurdas do presidente Bolsonaro e que, em retribuição à subserviência, recebeu do chefe um exaltado elogio de ter sido um “excepcional”, um “tremendo gestor”. Quando o “tremendo gestor” assumiu o ministério, em 2020, existiam 58 mil mortos pela pandemia. Agora, ele entrega o cargo beirando os 300 mil mortos. O general Pazuello é o oitavo general demitido nesse governo (único da ativa), sendo todos eles submetidos a rituais de humilhação antes do afastamento.

Faz-se necessário, todavia, dar ao Dr. Queiroga o benefício da dúvida, pois emergiu de ambientes onde as ações são conduzidas pelo debate e pelo convencimento baseado em evidências, e não apenas na hierarquia, adequada à caserna, mas imprópria para o ambiente médico/científico, onde o debate civilizado é inerente e indispensável. Contudo, o sucesso do Dr. Queiroga dependerá menos de suas possíveis qualidades e mais dos cálculos políticos do presidente da República para as eleições de 2022. Essa é a sua única preocupação. E, perpetrando mais uma contradição mortífera (para a população brasileira), Bolsonaro, com Pazuello comandando a Saúde na pior pandemia dos últimos 100 anos, fez exatamente o oposto do que tinha prometido em sua campanha, quando garantiu que todos os cargos seriam ocupados por técnicos. Um estudo francês recente mostra que para cada 100 mil vacinados acima de 60 anos, evitam-se 15 mortes. A cada 1 milhão de vacinas, evita-se a morte de 150 brasileiros inocentes. Pressionados pela falta de vacinas, pelo colapso na saúde pública e privada, com mortos se amontoando nas suas portas, os governadores e os prefeitos tentam desesperadamente comprar as vacinas diretamente aos fornecedores, aplicam restrições e lockdowns, como única e última alternativa para reduzir a mortandade pública, e ainda são atacados pelas milícias radicais extremistas ligadas ao governo federal, que acha essa situação “confortável”. Resta saber se o Dr. Queiroga conseguirá melhorar Bolsonaro ou se Bolsonaro piorará o Dr. Queiroga. Nem o Cândido de Voltaire ficaria otimista nessa situação.

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