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Ontem foi comemorado em todo o mundo o Dia da Água. A data foi criada pela ONU em 1993 com o objetivo de alertar a população internacional sobre a importância da preservação da água para a sobrevivência de todos os ecossistemas do planeta. O tema deste ano é “Valorizar a água”.

Quando se olha a realidade brasileira, entretanto, vê-se que o acesso à distribuição de água tratada tem avançado muito lentamente no País. De acordo com o IBGE, mais de 6 milhões de residências não recebiam água encanada, o que priva mais de 18 milhões de pessoas de abastecimento. Os dados mais atualizado indicam que 83,7% da população é atendida com rede de água. Em se tratando de rede esgoto, a situação é ainda pior. Quase metade da população brasileira vive sem acesso a saneamento, segundo dados do do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Apenas 49,1% do esgoto é tratado. A maior parte dos dejetos é devolvida à natureza sem nenhum processo de limpeza. A Lei do Saneamento Básico, de 2007, prevê a universalização do abastecimento de água e do tratamento da rede de esgoto no país. Ela também estabeleceu regras básicas para o setor ao definir as competências do governo federal, dos estados e dos municípios para os serviços, bem como a regulamentação e a participação de empresas privadas. Mesmo em ritmo lento, as coberturas de água e de esgoto têm melhorado no Brasil nos últimos anos. Em 2011, por exemplo, 82,4% da população tinha acesso à água tratada. Já em 2018, o índice passou para 83,6%. Mesmo assim, milhões ainda seguem sem acesso a esse serviço básico. O risco de falta d’água é um problema mundial. Segundo a Unesco, o planeta enfrentará um deficit de água de 40% até 2030. O Brasil, porém, vive uma situação peculiar. É dono da maior reserva de água doce do mundo. Portanto, se tem problemas de abastecimento é por responsabilidade própria. Falta, sobretudo, investimento, que deve vir tanto do governo quanto da iniciativa privada, por meio de parcerias, para garantir o acesso universal e corrigir desigualdades.

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