loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sexta-feira, 31/07/2026 | Ano | Nº 6279
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Cigarro e paix�es

Ouvir
Compartilhar

ALBÉRICO CORDEIRO * Quarenta e quatro anos de cigarro; paixões devastadoras e uma Prefeitura, rasgaram-lhe o peito. Emílio Silva e Sebastião Lessa, do Hospital Santa Rita, ligaram para o Wanderley, o José Wanderley Neto, nascido no povoado palmeirense do Coruripe da Cal, criado em Cacimbinhas e largado no mundo para o sacrossanto caminho da ciência e orgulho das Alagoas. Falaram claro e direto: ?O homem está mal. Muito mal. A ambulância decola agora e não temos certeza se chega vivo à Santa Casa.? Chegou quase vivo. O noticiário o dava por morto, quase morto ou sem jeito. Wanderley juntou a equipe, rasgou-lhe o peito, estancou o riacho de sangue e, exaustos, todos, entregou o paciente à UTI. Salvaram-no. O ator Norton Nascimento, aos 42 anos, sem cigarro na história e sem Prefeitura na biografia, teve a mesma coisa. Aneurisma Dissecante da Aorta. Passou pelo pau do canto. Correu riscos maiores do que o paciente que veio de Palmeira voando pela BR-316. Se Norton Nascimento tivesse telefonado quando sentiu as primeiras dores, o paciente de Palmeira teria dito: ?Venha para Alagoas! Aqui tem um Wanderley que devolverá você às telas da Globo sem riscos, sem sustos e sem seqüelas.? Alagoas tem dessas coisas. Em Arapiraca, por exemplo, já fizeram cinqüenta transplantes de rins. De Arapiraca só se ouvia falar nas plantações de fumo, na renda per capita e do Zezito Guedes, folclorista e artesão. De uns tempos para cá, fala-se de uma equipe de médicos com Indalécio Magalhães na linha de frente, que está fazendo horrores na medicina, nos transplantes e na ciência. Maria José Cardoso Ferro, nasceu no Minador do Negrão quando o então vilarejo era distrito de Palmeira. Tinha tudo para ser fazendeira e mãe de muitos filhos. Botou o pé na estrada, estudou como uma louca, catou especializações pelo mundo inteiro e voltou para casa. Hoje é nome nacional com o CEP de Palmeira no endereço. Outro dia uma família de Brasília procurou o Senador Renan Calheiros: - Essa médica do interior de Alagoas é mesmo a bam-bam-bam dos olhos, Senador? A filha do cidadão estava quase cega aos dezenove anos. Tentaram tudo nos grandes centros do sul. As esperanças sumiam na medida em que desaparecia na adolescente a capacidade de ver. A família desceu no aeroporto de Maceió, veio de táxi para Palmeira, pegou aposentos no Hotel da Amparo, o Verde, e começou o tratamento. A menina vai ficar curada. São dezenas, centenas de casos semelhantes a este. Vindos dos longes do Brasil, dos nomes famosos, buscar solução e cura em Palmeira dos Índios. Alagoas, por suas elites culturais e formadoras de opinião, precisa conhecer melhor o trabalho que essa ? admitamos ? elite científica está fazendo. Até para limpar a barra dos percalços e das urucubacas que assolaram o chão e o prestígio, o nome e o orgulho da terra que deu Graciliano Ramos e Jorge de Lima. (*) É JORNALISTA E PREFEITO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS

Relacionadas