Opinião
Hora de educar
Como vem acontecendo nos últimos anos, nesta época é grande a procura por vagas nas escolas públicas. Alguns pais acamparam semanas antes do início das matrículas para tentar garantir vaga para seus filhos. O coordenador estadual do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef), declarou que existem em Alagoas, pelo menos 200 mil crianças na faixa etária até seis anos fora da escola, das quais 80 mil só em Maceió. Isto acontece, segundo ele, porque as crianças não têm acesso, não há escola suficiente para todos, não existem as condições básicas para a Educação Infantil, que prioritariamente é papel do município oferecer. A própria Secretaria de Educação do Município admite que embora tenha ofertado 14 mil novas vagas este ano, o número ainda é insuficiente para atender à demanda, pois dentre estas apenas três mil foram destinadas à Educação Infantil, malgrado se reconheça o esforço da Prefeitura de Maceió para enfrentar o problema, com a aquisição de novos prédios, ampliação da capacidade das escolas e o estabelecimento de convênios com associações de moradores. No entanto, o problema é de tal magnitude que mesmo na hipótese de ocorrer um esforço concentrado envolvendo diversas esferas da administração pública, instituições privadas de ensino e a sociedade em geral ? ainda que o drama fosse minimizado, esse trabalho seria insuficiente para reverter de imediato esta dramática situação que compromete, ainda na infância, o futuro destas crianças como cidadãos. Se em situações extremas como esta é necessário criatividade, ousadia e parcerias para minimizar o problema ? para resolvê-lo é necessário, sobretudo, recursos para a construção de novas escolas e seu aparelhamento; contratação de professores, técnicos pedagógicos e administrativos. Enfim, tudo que envolva ensino de qualidade. O governo federal acena com a criação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que teria em torno de 10 vezes mais recursos do que o Fundef. Mais do que esperar para crer ou ver, a cidadania deve cobrar isso como prioridade.