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Opinião

UM ANO DE DEVASTAÇÃO E A NECESSIDADE DE ESPERANÇAR

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Na semana passada, completamos um ano do reconhecimento da pandemia pela OMS e do registro da primeira morte ocasionada pela COVID-19 no Brasil. De lá para cá, a situação só se agravou. Chegamos de forma rápida ao trágico número de 300 mil vidas encerradas por conta deste vírus. Estamos batendo recordes tenebrosos, com mais 2 mil mortes por dia.

Tem sido um período difícil, de muito sacrifício por parte de toda a classe trabalhadora. A educação em especial, sofre com as limitações, a necessidade de adaptação com muita sobrecarga, a cobrança injusta e cruel de quem não reconhece o trabalho árduo, e o pior, os inúmeros adoecimentos e mortes causados pela irresponsabilidade de gestores que pressionaram para o retorno ao trabalho em meio à pandemia. A realidade da educação pública em nosso país é precária, principalmente em se tratando da rede básica. Nossas escolas não têm estrutura adequada nem nossos profissionais receberam formação para ensino na modalidade online, e mais uma vez a categoria provou que está disposta, fez o esforço acima das possibilidades, se adaptou e manteve atuante. Fomos acusados de não querer trabalhar, mas a verdade é que trabalhamos ainda mais que o normal. A sobrecarga ficou ainda mais pesada quando compartilhamos do sofrimento dos nossos alunos e alunas, vítimas do abismo e da desigualdade social do nosso país, que não conseguiram acompanhar nossos conteúdos por falta de condições mínimas.

Perdemos vidas de entes queridos, como todo mundo. Mas lidamos também com a pressão e de sermos a categoria (fora do âmbito da saúde) mais essencial e com mais dificuldade de controle. Foi preciso unidade e mobilização nossa, para que gestores compreendessem que não seria possível voltar ao presencial. E conseguimos na rede pública. A rede privada, por sua vez, sofreu com o mercantilismo covarde. Com a chantagem injusta que só o capital faz, impondo demissões, cobranças e desrespeito à saúde e à vida de todos que fazem a educação. A educação não é mercadoria, e a vida das pessoas também não. Por isso lutamos tanto. Esse direito não pode ser negado a ninguém, e é obrigação do poder público fornecer as condições. Voltando à realidade da escola pública, seguimos defendendo a dignidade da nossa comunidade. Que a realização do Enem foi um processo desigual que privilegiou poucos neste último ano, e vimos nossos alunos mais uma vez tendo o abismo ampliado pela oportunidade cada vez mais distante. Nesse processo, sabendo que fazer a luta que sempre fizemos nas ruas com protestos poderia ser um risco de piorar a situação de pandemia, buscamos alternativas. Sabíamos que por mais impossível que pareça a resistência, ela se faz ainda mais necessária.

Não abandonamos nossas pautas, acumulamos a luta por condições de trabalho, direitos da classe trabalhadora e recursos para a educação, com a luta pela sobrevivência dos nossos. Reinventamos nossa forma de mobilização, aprendemos (e ainda estamos aprendendo todos os dias) como não soltar a mão de ninguém, mesmo à distância. Com as ferramentas possíveis, unimos o país e conseguimos vitórias históricas. No campo nacional, aprovamos o Novo Fundeb permanente. Aqui em nosso estado, os funcionários receberam rateio do Fundeb pela primeira vez. Sofremos derrotas sim, e essas seguem sendo combustível para que não cedamos ao cansaço e sigamos implacáveis no enfrentamento. Cada vida de uma educadora ou educador perdido, é uma dor que sentimos, e aprendemos a transformar esse luto em luta. Por nós e por cada uma dessas pessoas, nos sentimos obrigadas a seguir resistindo. Resistimos, porque é necessário esperançar, como nos ensinou nosso centenário mestre Paulo Freire. A esperança que é construída com lutas diárias e coletivas para superarmos essa situação, garantindo a saúde, a vida, as condições de exercermos nossa profissão e a valorização de quem trabalha.

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