Opinião
O sinal amarelo
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Simon Simek escreveu: “Existem apenas duas maneiras de influenciar o comportamento humano: você pode manipular ou inspirar”. A reunião de Bolsonaro com os líderes dos outros poderes da República teve como principal resultado o pronunciamento do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, quando alertou-o de que a tragédia humana da pandemia, que já ultrapassou os 300 mil mortos, não mais permite manipulações e que o sinal amarelo estava ligado. Este vigoroso pronunciamento republicano somou-se à manifestação de grandes economistas e empresários do setor financeiro que, em carta aberta, fizeram críticas severíssimas ao comportamento do governo federal, principalmente à negligência que resultou na falta de vacinas, ao uso do famigerado tratamento precoce, contraindicado pela ciência. Essas manifestações desmentem as manipulações de que as críticas ao governo federal vem da esquerda.
Os números subsidiam os manifestos do setor econômico/produtivo e das lideranças políticas nacionais: nos EUA, com vacinas, distanciamento social e lockdowns, os mortos até há pouco tempo eram 4 mil/dia e despencaram para 400, e no Reino Unido, onde chegavam a 1.800/dia, caíram para 40. O Brasil está em 54º lugar em vacinações no mundo e tem o maior número de óbitos por dia: 27% das mortes diárias no mundo pela pandemia, que é a mais descontrolada da Terra. E acena atrasadamente com vacinas que agora são inexistentes no mercado. O presidente da República desfez uma compra de 46 milhões de vacinas da Coronavac feita pelo general Pazuello em outubro de 2020; impediu a compra de 70 milhões de doses da Pfizer que seriam entregues em dezembro de 2020, alegando cláusulas contratuais draconianas, as quais foram aceitas por todos os demais países. Nunca defendeu o uso de máscaras, mas promoveu aglomerações repetidas, desprezando os 300 mil mortos e suas famílias. O presidente, além de chistes como a “gripezinha” e achincalhes como “maricas” para a maioria que teme a pandemia (morre uma pessoa a cada 27 segundos no Brasil pelo Covid-19), foi sempre muito ativo nas redes sociais, de março de 2020 até marco de 2021, publicou 4.822 posts, apenas 2,4% deles referindo-se às vacinas, principalmente atacando a “vacina do Dória” , responsável por 90% das vacinações no Brasil. O número de posts propagando a cloroquina é grande. A sua queda de popularidade nas pesquisas e o anseio desesperado de 91% da população por vacinas obrigaram-no a uma “mudança” de comportamento. Mas é impossível melhorar o combate à pandemia usando a ciência com manipulações políticas, como o famigerado tratamento precoce, que atende só a uma minoria alienada. A única opção está claríssima: as lideranças da Câmara e do Senado trabalham seriamente com os governadores e o Ministério da Saúde sem atrapalhações do Planalto - e tentam minimizar essa mortandade desatada.